Do Fundo Da Estante: Feitiço do Tempo [Nostalgia]

Deliciosa comédia romântica e indiscutivelmente um dos melhores filmes dos anos 90. Harold Ramis, o Egon de Os Caça Fantasmas fez aqui o seu melhor trabalho como diretor, inteligente e muito divertido.
Phil Connors (Bill Murray e só podia ser ele) é um repórter de televisão, responsável pelo boletim meteorológico. Enviado contra a vontade a uma pequena cidade para fazer uma matéria sobre o “Dia da Marmota”, ele mal sabe o que lhe aguarda.
Ele detesta o local e seus habitantes, só pensa em ir embora o mais rápido possível e acaba preso num loop temporal, sendo condenado a repetir para sempre os eventos daquele mesmo dia. Ao se apaixonar por Rita (Andie McDowell, linda e sensacional) ele entende que precisa observar, aprender e evoluir com os próprios erros e só assim poderá voltar a sua vida normal.
O mais fascinante nesta história, é pensar na possibilidade de ter uma chance de voltar no tempo e reparar algo que tenha nos causado algum arrependimento – seja uma palavra, ação ou gesto. Quantas e quantas vezes passamos por isso e ainda assim não aprendemos tanto quanto deveríamos? E se tivéssemos a mesma oportunidade que o personagem do Bill Murray, como nos comportaríamos?
Feitiço do Tempo é tão cult que já existe uma teoria que o chato Phil ficou 32 anos preso nesse looping até ficar “pronto” ou “evoluído o bastante” para voltar a realidade. Se essa teoria estiver correta, é impossível medir o nível de boçalidade do pobre Phill.
Sai o cara ranzinza e entra o galante apaixonado que toda vida foi zero romantismo. Mais do que sua paixão por Rita, o elemento catalisador de sua mudança foi a percepção de que, ser divertido, amável e prestativo é fundamental para se viver de forma mais leve – apaixonado então, é melhor ainda! Esse paralelo entre Phil e a Marmota (um roedor que vive em buracos) ficou engraçado e a maneira com o que o muito tradicional evento do Dia da Marmota é destacado e ao mesmo tempo satirizado é mais um ponto positivo do excelente roteiro. É óbvio que marmota nenhuma é capaz de fazer previsão do tempo, mas os EUA adoram fazer evento com tudo e todos e Feitiço do Tempo tira o seu proveito devidamente.
Esse tipo de filme não interessa mais aos grandes estúdios e não chama público aos cinemas. Já teve sua época e permanece na memória afetiva de todos que o viram. Sem querer dar lições de moral ou vida, Feitiço do Tempo é obrigatório e faz pensar.
Remake, reboot, continuação e série de tv não são bem vindos.
FICHA TÉCNICA
Titulo: Feitiço do tempo
Título Original: Groundhog Day
Direção: Harold Ramis
Data de lançamento no Brasil: 17 de setembro de 1993
Nota 4,5/5
Italo Morelli Jr.
Na Nossa Estante

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