Te quiero, imbécil [Resenha do Filme]

Comédia romântica tem sofrido bastante com produções americanas sem graças e sem criatividade, mas fora de Hollywood o gênero ainda respira bem, por isso me empolguei para ver Te quiero, imbecil.
O filme espanhol traz Marcos (Quim Gutiérrez), 35 anos que depois de 8 anos namorando, pede a namorada Ana (Alba Ribas) em casamento e leve um fora. Sem namorada, o protagonista também perde o emprego e se vê estagnado, morando na casa dos pais. No entanto, numa tentativa desesperada de mudar os rumos de sua vida, Marcos busca respostas na internet e acaba encontrando Sebastián Vennet (Ernesto Alterio), um influenciador, guru da internet, que o dá conselhos para ser mais agressivo, mais másculo e metrossexual. E entre suas tentativas frustradas de mudança, Marcos reencontra sua antiga amiga de escola, Raquel (Natalia Tena, Tonk de Harry Potter) que vai tentar ajudá-lo a superar a ex.

O longa é dirigido por uma mulher (Laura Mañá) e escrito por dois homens (Abraham Sastre e Iván Bouso) e tem como ponto mais interessante tentar quebrar o estereótipo de macho alfa, explorando muitas vezes os sentimentos de Marcos que simplesmente não se encaixa no padrão, embora se esforce bastante. Nas suas tentativas de se parecer com seu amigo Diego (Alfonso Bassave), Marcos fica bem imbecil, dando jus ao título do filme.

Marcos é confuso e bem idiota às vezes, por outro lado Raquel é o melhor do filme, com uma personalidade impulsiva e simpática ela dá todos os sinais de que aceita Marcos como ele é, mas o imbecil demora para perceber, o que nos faz ter menos empatia pelo protagonista a cada cena, ainda que a gente possa entender que ele vive uma fase de transição na vida.

Natalia Tena é alma do filme e trabalha muito bem o modo despojado de Raquel e o longa também me ganhou na ambientação que foge dos Estados Unidos, com ruas da Espanha. Infelizmente, o roteiro falha ao não dar mais espaço a personagem, sendo uma coadjuvante do protagonista na sua jornada de autoconhecimento; soma-se isso ao fato do ritmo não ser muitas vezes do mais animado e temos um filme mais morno do que eu esperava.
Entretanto, nem tudo é ruim no longa, apesar de previsível e clichê, Te quiero imbecil tenta fazer uma boa crítica ao modo tóxico masculino perpetuado na sociedade (ainda que tenha ficado raso) e tem um humor sarcástico na representação do guru Sebastián Vennet que me fez dar boas risadas, principalmente no final. Além disso, é difícil não se simpatizar por Raquel e até mesmo nos conflitos do homens do século 21.
FICHA TÉCNICA
Título: Te quiero, imbecil
Direção: Laura Mañá
Data de Lançamento no Brasil: 15 de maio de 2020
Nota: 3/5
Netflix

Michele Lima

Na Nossa Estante

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