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Princesa das Cinzas [Resenha Literária]

Em Princesa das Cinzas, conhecemos Theodosia/Thora. Seu reino Astrea foi invadido quando ela tinha seis anos e, durante dez anos, ela foi mantida refém pelo Kaiser, como uma espécie de troféu e um alerta para os rebeldes. Theodosia se cansou de todas as humilhações e torturas impostas pelo Kaiser e seu povo; agora a Princesa das Cinzas está disposta a lutar para tomar o seu reino de volta.
Se tem algo que não gosto na divulgação de um livro é quando o comparam com outras histórias. Você fica na expectativa de encontrar algo parecido e, quando não encontra, a decepção é enorme. Foi isso que aconteceu com Princesa das Cinzas. Dizer que Theodosia lembra a Sansa Stark (Game of Thrones) é um insulto a uma personagem que teve um grande arco e crescimento na história.
Eu tentei levar em consideração o fato que Theodosia passou dez anos sendo torturada e castigada pelo kaiser. Então, entendo que Theo tenha se tornado uma moça submissa e covarde. Por esse motivo, e pelo passado da personagem, que fica difícil comprar quando, como em um estalar de dedos, Theo está decidida a tomar o que é seu de direito. Não há um ápice; não há um desenvolvimento. Para alguém que passou uma década sofrendo todo o tipo de humilhação e tortura, creio que a autora deveria ter trabalhado melhor esse “acordar” de Theodosia.
Mesmo decidida a ter seu reino de volta, Theodosia é uma líder apática, mimada e sem nenhuma visão de batalha. Logo após o seu “despertar”, ela conhece três rebeldes e, com sua ajuda, bolam planos e planos para derrotar o Kaiser. Muito me admirei três pessoas que já vinham na linha de batalha contra os kalovaxianos deixarem uma garota decidirem seus planos só pelo fato dela ser rainha-herdeira. Em muitos casos, ela deixa seu sentimentos falarem mais alto do que o objetivo de seus planos, se mostrando tão egoísta quanto as pessoas da corte que ela tanto odeia.
Um detalhe que achei bastante surreal é o fato de Theodosia ter memórias vívidas de quando tinha seis anos, idade que seu reino foi invadido e sua mãe morreu. São lembranças muito bem descritas e eu achei um certo exagero da parte da autora.
Quanto aos personagens secundários, em boa parte são esquecíveis. Os únicos que ainda senti uma empatia e fiquei interessada em saber mais foram o príncipe Søren e a Lady Crescentia, conhecida como Cress. Søren é o típico príncipe que odeia o pai e morre de medo de se tornar igual quando subir ao poder. Apesar de só sabermos dele através de Theo, dá pra perceber que ele vive uma grande batalha interna entre se rebelar ao pai que odeia e obedecer suas ordens. Nem é preciso dizer que os dois juntamente com mais outro personagem fazem parte de um triângulo amoroso tão interessante quanto picolé de chuchu. Na verdade, está mais para quadrado, já que a Cress também tem interesse no príncipe.
Já Cress é dita amiga de Theo, aparentemente a única que ainda se importa com a princesa. Cress aparenta ser uma moça bem fútil, mas em certos momentos da história vemos que ela sabe mais do que aparenta saber. Apesar dos clichês de Cress e Søren, os dois foram os únicos personagens que eu senti um melhor aprofundamento em seus papéis na história.
O universo criado pela autora parece ser bem embasado, mas não é bem explorado. Sabemos que há magia em Astrea e essas só podem ser manipuladas por ditos Guardiões e algumas pedrinhas; essas informações sendo jogadas no ar. A história toda é um grande déjà-vu e Theo não ser a melhor das protagonistas, a escrita da Laura é bem fluída e os capítulos não são tão longos. Nos últimos capítulos, temos algumas revelações que deixam margem para o próximo livro, Lady Smoke (Senhora da Fumaça, em tradução livre).
Princesa das Cinzas era um livro que prometia muito, mas infelizmente não entregou nada. Não se deixe enganar pelo fato de compararem com Mare (Rainha Vermelha) ou Sansa; Theodosia passa bem longe disso.
FICHA TÉCNICA
Título: Princesa das Cinzas (Princesa das Cinzas #1)
Autor: Laura Sebastian
Nota: 2/5
Onde Comprar: Amazon



Luiza Helena

Na Nossa Estante

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