Extinção [Resenha do Filme]

Extinção, um dos novos lançamentos da Netflix, é um filme muito interessante e uma instigante ficção científica, sendo mais do que um longa de invasão alienígena dos que estamos acostumados a ver. Com bons temas é possível perceber ao longo do roteiro muitos elementos retirados da literatura de Philip K. Dick, principalmente tendo o personagem principal Peter (Michael Peña) experimentando sonhos paranoicos/visões de uma invasão iminente, que pode ou não estar ocorrendo apenas em sua cabeça.

Dirigido por Ben Young, Extinção é centrado em um engenheiro chamado Peter (Peña) e seus sonhos perturbadores. Muitas vezes retratando uma espécie de guerra, com pessoas sendo baleadas nas ruas por uma força invisível, suas noites nunca são pacíficas. Com o tempo, a falta de sono de Peter começa a afetar sua vida; ele sofre de apagões, afasta seus amigos e aparentemente negligencia sua família. Eventualmente, a pedido de sua esposa Alice (Lizzy Caplan), o protagonista faz uma consulta em uma clínica próxima. A ideia era ir falar com um profissional na esperança de se livrar dos pesadelos. Infelizmente, as coisas não ocorrem como planejado.

Em termos de filmes da Netflix Sci-Fi, este é de longe o melhor que eles desenvolveram. O filme tenta fazer as perguntas habituais encontradas no gênero: o que significa ser humano? Estamos verdadeiramente sozinhos? E se não, alienígenas são inerentemente hostis? Eles têm um ponto de vista? Os sonhos são apenas memórias esquecidas? Existem alguns temas realmente interessantes que são explorados durante o filme, a maioria dos quais ocorre durante a segunda metade.

A segunda parte do filme se torna muito envolvente, e faz o que a ficção científica tem de melhor: trazer questões filosóficas profundas. E, embora a revelação do filme possa ser um pouco previsível para os veteranos do gênero, há algumas reviravoltas na história que dão corpo ao filme e dão a ele uma voz única entre seus pares.

O filme é salvo principalmente pelo seu tratamento minimalista e uma reviravolta interessante que é prefigurada por toda parte. Um cenário obscuro que faz com que o público questione o período de tempo do longa, as semelhanças nas roupas de todo mundo, a iluminação estranha durante o dia – a normalidade da Extinção nos trás uma vibração desconfortável. As coisas parecem normais, mas o público sabe que algo não está certo. Essa sutileza mantém os momentos lentos de serem completamente chatos, e isso muda definitivamente quando as lutas começam.

A reviravolta do filme não é apenas um gancho afiado, mas oferece uma complexidade moral, bem como uma profunda empatia por personagens de ambos os lados da divisão. O longa surgiu de um roteiro inicial de Spenser Cohen e Brad Kane, que foi então retrabalhado pelo roteirista de primeira linha Eric Heisserer. Vale a pena conferir.

FICHA TÉCNICA
Título: Extinção
Título Original: Extinction
Diretor: Ben Young
Data do Lançamento: 27 de julho de 2018
Nota: 4/5
Netflix
Natália Silva
Na Nossa Estante

View Comments

Share
Published by
Na Nossa Estante

Recent Posts

Armadilha [Crítica do Filme]

Só agora, com o filme disponível na Netflix, resolvi assistir a Armadilha, do diretor M.…

3 dias ago

Rivalidade Ardente [Crítica da Série]

Heated Rivalry (Rivalidade Ardente), escrita e dirigida por Jacob Tierney, é um drama esportivo lançado…

5 dias ago

Casamento Sangrento: A Viúva [Crítica]

Lançado como continuação direta de Casamento Sangrento (2019), o filme surge com a difícil missão…

1 semana ago

Sweetpea [Crítica da Série]

A literatura contemporânea encontrou, nos últimos anos, um terreno fértil para protagonistas moralmente ambíguas, especialmente…

2 semanas ago

Hong, A Inflitrada [Crítica]

Hong, a Infiltrada, dorama disponível na Netflix, rapidamente se tornou um dos meus preferidos! A…

2 semanas ago

O Agente Secreto [Crítica]

O Brasil que fomos e que (infelizmente) ainda somos. O Brasil que não conhece o…

3 semanas ago

Nós usamos cookies para melhorar a sua navegação!