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Ilha dos Cachorros [Resenha do Filme]

Ilha dos Cachorros (Isle Of Dogs) é mais o novo longa do diretor e roteirista Wes Anderson de O grande hotel budapeste, ao estilo stop-motion de O Fantástico Sr. Raposo (2009).
A trama começa com um prólogo mostrando um pouco da relação dos cachorros com os humanos e que o idioma em boa parte do tempo é em japonês. Os cães estão doentes, com gripe canina e febre do focinho e por conta disso o prefeito de Megasaki resolve isolar todos os cachorros numa ilha, mesmo que os cientistas digam que podem achar a cura para tais doenças. O discurso da oposição também alega que não podemos abandonar os animais, o melhor amigo do homem que sempre esteve ao nosso lado quando precisamos. No entanto, aliado a um militar o prefeito manda os cachorros para ilha e eles passam a viver em condições miseráveis.
Os cachorros passam fome, frio, vivem no lixo, estão doentes, vivem condições horríveis e nos fazem lembrar que muitos seres humanos vivem em situações semelhantes. O longa foca num grupo de amigos que se espantam com a chegada de Atari Kobayashi (Koyu Rankin), um garoto japonês de 12 anos de idade, sobrinho do prefeito, que está em busca do seu cachorro, um dos primeiros a ir para a ilha. O grupo passa a ajudar Atari em sua jornada, mesmo que Chief (Bryan Cranston) seja totalmente contra.
Enquanto Atari está em busca de Spots (Liev Schreiber) descobrimos que o prefeito é extremamente corrupto e tenta eliminar qualquer ameaça que faça com que os cachorros se curem. E no meio dessa aventura, a relação de Chief e Atari vai ficando mais interessante. O cachorro é bastante rabugento e sempre do contra e o menino apesar de não conseguir entendê-lo (apenas Spots por conta de uma mecanismo de tradução), o trata como seu companheiro.
O longa não é um filme triste, embora algumas vezes é possível ter pena das condições de vida dos cachorros, nem mesmo tem um roteiro dramático e o humor é bastante comedido. Aliás, tudo no filme parece bem comedido. Claro que é possível rir em muitos momentos devido às piadas inteligentes e a maneira mais brusca de agir de alguns personagens, como a jornalista Tracy (Greta Gerwig). E vale ressaltar que é evidente a humanização dos animais em todo o longa.
Na parte mais técnica o estilo stop-motion não decepciona. O diretor usar cortes fortes e vibrantes quando aparece a vida dos humanos, associando o vermelho ao governo sempre. Na ilha temos o uso de cores frias, marcando a solidão e tristeza do lugar. E Wes Anderson nos apresenta algo inusitado como nuvem de poeria para mostrar uma briga ou uma quebra de expectativas com momentos de tensão.
Apesar de pecar um pouco na falta de profundidade, com poucos e rápidos diálogos, Ilha dos Cachorros trabalha com bons temas como corrupção, manipulação das massas, amizade e proteção aos animais. É uma animação com personagens com carisma, ambientes e personagens excêntricos. Não é um filme que impacta, mas com certeza deixa mais uma marca do diretor.
Trailer:
FICHA TÉCNICA
Título: Ilha dos cachorros
Título Original: Isle Of Dogs
Diretor: Wes Anderson
Data de lançamento: 19 de julho de 2018
Nota: 3,5/5
*conferimos o filme na cabine de imprensa
Michele Lima
Na Nossa Estante

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