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Agnes Grey [Resenha Literária]

Quando eu li Jane Eyre, decidi que Charlotte Brontë era a minha irmã Brontë preferida, mas confesso que depois de ler Agnes Grey, Anne conquistou um lugar no meu coração.
Agnes é filha de um casal humilde que depois de enganados a situação financeira se torna ainda pior. Pensando nas suas irmãs e nos seus pais, Agnes resolve trabalhar como preceptora e assim não ser um fardo na família. Durante todo o livro acompanhamos a trajetória do trabalho da protagonista e depois seu doce envolvimento com o pároco da região, Edward Weston, além da sua relação com Rosalie Murray, uma moça frívola e egoísta, mas importante para ações da história.
Difícil falar de Agnes sem compará-la com Jane, já que é evidente as semelhanças entre as duas. Ambas colocam o trabalho como ponto principal da vida, não um casamento com um homem rico, e esperam que seus pupilos tenham a mesma moral que elas, mas no caso de Agnes é sempre uma decepção. Não só porque os Murray são fúteis e desobedientes, mas principalmente porque o filho dos Bloomfield chega a ser cruel com os bichos, o que nos leva aos maus tratos com os animais, algo pouco comentado em romances do século 19.
Tanto Jane quanto Agnes possuem características de protagonistas vitorianas: solitárias, isoladas e introspectivas. Aliás, Agnes Grey é muito mais introspectivo que Jane Eyre; não existe um mistério a ser resolvido ou um caso impossível de amor, mas sim uma severa crítica ao tratamento dados às preceptoras. Agnes é inclusive culpada pelo mal comportamento dos filhos dos seus patrões, mas também nos mostra um pouco de suas alegrias.
Toda a obra é narrada pela protagonista e assim só temos o ponto de vista de Agnes, que é uma pessoa religiosa e altruísta, daquelas que visitam os vizinhos com necessidade. E é dessa forma, inclusive, que ela se aproxima de Weston.
Agnes não tem uma posição que a permita ser uma mulher forte, sendo incapaz de dizer não aos patrões, ainda que na casa dos Murray sua presença seja um pouco mais forte. Porém, vemos situações em que os filhos do casal usam e abusam da boa vontade da preceptora, querendo inclusive que ela não visite os pais para ficar com eles. Afinal, era costume os pais largarem toda a responsabilidade de seus filhos nas mãos dos criados. E vale destacar também que Agnes é completamente oprimida por Rosalie, uma dama extremamente manipuladora.
Agnes Grey é o primeiro romance Anne Brontë, publicado em 1847 e como é baseado na sua experiência como preceptora, é considerado uma biografia da autora, devido as muitas semelhanças entre Agnes e Anne. Claro que não importa a vida de Anne para entender a trama, mas saber que parte do enredo está conectado com a história pessoal da autora nos faz entender melhor o ponto de vista da protagonista, o que explica talvez o fato de Agnes ser uma personagem bastante realista.
Anne Brontë consegue nos envolver numa história sem grandes ações, mas com um enredo que nos prende pela forma como é contado e por ter uma crítica social forte e pautada por acontecimentos verossímeis.
O livro é curto, a leitura é rápida, fácil e agradável. Sem contar a capa linda e a edição impecável da Martin Claret. Agora quero ler outros livros das irmãs Brontë!
FICHA TÉCNICA
Título: Agnes Grey
Autor: Anne Brontë

Michele Lima

Na Nossa Estante

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