Valor Sentimental [Crítica]

Valor Sentimental

Valor Sentimental é um drama não muito pungente para assistir num domingo à tarde enquanto a chuva cai lá fora e nada mais. Se tiver uma opção melhor, prefira.

Vale uma espiada? Vale e quem quiser largar no meio, pode. Ninguém irá criticar. Parece Ingmar Bergman? Tenta. Mas só fica no quase. Ainda que digam que o diretor Joachim Trier não tinha a intenção de imitá-lo, é impossível negar que Valor Sentimental bebe na fonte do diretor sueco com tanta sede que, por vezes, parece ser um roteiro perdido (menor, que ficou na gaveta) que foi descoberto e filmado.

Stellan Skargard, protagonista absoluto e sendo injustamente premiado como ator coadjuvante, é Gustav Borg, consagrado diretor de cinema e pai ausente. Viúvo, tem uma relação espinhosa com as filhas Nora (Renate Reinsve, premiada em Cannes por outro filme do diretor Trier, A Pior Pessoa do Mundo, de 2021) que é uma renomada atriz de teatro e Agnes (Inga Ibsdotter Lilleaas), uma historiadora que foi atriz na infância, dirigida por Gustav em seu filme mais famoso. 

Depois de um tempo sem se verem, ambos se encontram e Gustav quer dirigir Nora em seu novo trabalho, no qual contará a vida de sua mãe, uma ativista política que sofreu tortura nas mãos dos nazistas. Nora se recusa e então ele encontra casualmente a atriz norte-americana Rachel Kemp (Elle Fanning, a irmã mais esperta da Dakota) que aceita o papel, porém em inglês e com produção da Netflix.

Alguns conflitos não muito aprofundados aparecem aqui e ali, mas nada de muito impacto – é white people problem na cara dura e nem forçando dá pra ter alguma empatia. Aliás, demora muito para que a protagonista Nora diga a que veio e nem ouso dizer que ela consegue. Já Gustav é corpo e alma de Valor Sentimental, e é graças a ele e sua indiferença que o drama das filhas se desenvolve, o que coloca Nora, Agnes e Rachel em segundo plano. Coitadas, só que não.

Valor Sentimental

Fica estranho acompanhar essa consagração da norueguesa Renate Reinsve, com direito a indicação ao Globo de Ouro e uma indicação ao Oscar de atriz principal, o que não acontece desde 1976 quando Liv Ullmann atuou em Face a Face do Ingmar Bergman. 

Bergman, aliás, não é mais um dos meus diretores favoritos depois que Stellan Skargard disse numa entrevista que ele chorou quando Hitler morreu, pois era um nazista convicto. Isso me doeu. Meu filme favorito dele? O Rito (1969), feito para tv no melhor estilo teatro filmado e com atuações inesquecíveis, além da história (também sobre atores) e a direção irretocável. Filmaço que nunca mais verei.

Um ponto interessante em Valor Sentimental é o fato de elegerem a casa da família como personagem, lindamente fotografada. Mas é pouco para agregar em mais de duas horas de projeção. O andamento não é moroso, a minutagem nem pesa, mas enquanto avança, vai deixando aquela esperança de que algo antológico irá acontecer e nada acontece. Não há reviravoltas e nem grandes revelações, apenas um breve suspense no final.

Muito pouco pra tanto alarde.

FICHA TÉCNICA

Título: Valor Sentimental
Título Original: Affeksjonsverdi
Direção:  Joachim Trier
Data de lançamento: 25 de dezembro de 2025

 

Italo Morelli Jr

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