Cara de Um, Focinho do Outro [Crítica]

Quem não gosta da Pixar Animation Studios já está morto por dentro! Brincadeiras à parte, a gente sabe que, nos últimos anos, essa parceria da The Walt Disney Company com a Pixar tem resultado em alguns filmes medianos. No entanto, é muito bom poder dizer que Cara de Um, Focinho de Outro não é o caso! A animação é uma das melhores dos últimos tempos.

A história acompanha Mabel (Piper Curda), uma jovem ativista que ama os animais, em sua tentativa de impedir que o prefeito de sua cidade destrua a clareira que ela e sua falecida avó sempre cuidaram. Quando tudo parecia perdido, Mabel descobre que sua professora, Dra. Sam (Kathy Najimy), criou uma tecnologia capaz de transferir a mente humana para dentro de animais robóticos hiper-realistas. Mabel usa essa tecnologia para se passar por um castor e, assim, conseguindo se comunicar com os animais, tenta convencê-los a salvar o próprio lar.

O longa traz uma discussão sobre questões ambientais, mas foca bastante na amizade. Mabel é uma garota solitária, e preservar a clareira também significa preservar a memória de quem a aceitava como ela é: sua avó. O rei George (Bobby Moynihan) também sempre foi solitário, e é isso que torna essa amizade tão importante. O apoio mútuo é essencial; George é ingênuo, é verdade, mas extremamente leal a uma personagem que acabou de conhecer.

Ao longo da jornada de Mabel para salvar a clareira e o lar dos habitantes de Barra do Castor, somos apresentados a personagens engraçados, situações divertidíssimas e muitas reviravoltas. O desfecho da reunião com o rei dos animais é completamente inesperado, assim como o surgimento de um novo vilão já na reta final. Também é curiosa a relação de Mabel com o prefeito Jerry (Jon Hamm), são inimigos há tanto tempo que se conhecem perfeitamente.


O roteiro de Jesse Andrews e Daniel Chong é criativo, coloca os personagens em situações inesperadas, foge da mesmice e ainda entrega excelentes piadas. O humor é inteligente, com diálogos perspicazes que arrancam boas risadas. Obviamente, é preciso embarcar na fantasia proposta pelo filme e ignorar que nada daquilo é possível. Algumas situações, na prática, mudariam o rumo da humanidade e não seriam simplesmente esquecidas, algo que também acontece, por exemplo, no final de Red: Crescer É Uma Fera.

Em um ritmo frenético, Cara de Um, Focinho de Outro entrega tudo o que a gente espera: humor, aventura, amizade e discussão de temas importantes. Sem contar os personagens imensamente carismáticos. É o tipo de animação que vale a pena ver no cinema.

Michele Lima

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