Pluribus [Crítica da Série]

Vince Gilligan é criador de uma das maiores séries de sucesso da televisão, Breaking Bad, e agora retorna com a intrigante Pluribus! Não à toa, com um piloto incrível, a série de ficção é cheia de mistério, sarcasmo e uma ótima crítica social.

Já imaginaram viver num mundo em que todo mundo é supostamente feliz? É o que acontece na série! Uma tecnologia alienígena chega à Terra e toda a humanidade, com exceção de pouquíssimas pessoas, é infectada. Os seres humanos agora possuem uma mente coletiva e são completamente empáticos. Uma situação ótima para a gente pensar sobre individualidade e excesso de positividade. Na trama central temos Carol Sturka (Rhea Seehorn), a protagonista que é imune à nova tecnologia.

Depois de ver seu grande amor morrer durante o “apocalipse”, Carol descobre que, nos Estados Unidos, é a única que não se transformou com a nova tecnologia. Ela não consegue lidar nada bem com a situação e seus pensamentos negativos atingem toda a humanidade. Cada vez que Carol sente muita raiva, o que acontece constantemente, ou tem sentimentos muito negativos, os seres humanos em todo o mundo sofrem como se tivessem uma convulsão. Pela nova natureza empática da humanidade, os humanos fazem de tudo para o bem-estar da protagonista, o que a deixa ainda mais no limite.

No novo mundo, Carol tenta se encontrar com as outras pessoas imunes, todas muito contentes com a nova humanidade, por motivos diferentes. O que faz Carol encenar o clássico líder americano querendo salvar a humanidade, esta que não quer ser salva. Exceto por Manousos (Carlos-Manuel Vesga), que não fala inglês.


Depois de passar pelos estágios do luto, a fase de aceitação de Carol sobre a nova ordem mundial passa por Zosia (Karolina Wydra), escolhida pela mente coletiva por ser muito parecida com a personagem dos livros de Carol. É óbvio desde o início que eles querem que a protagonista se envolva com Zosia. E nisso fiquei me questionando qual a diferença real entre Mr. Diabaté (Samba Schutte) e Carol quando se trata de se relacionar com os infectados.

A série se desenvolve sem pressa e Rhea Seehorn sustenta episódios inteiros, por vezes sozinha. Não à toa, está sendo super premiada! A solidão de Carol é bem palpável e, nesse aspecto, Pluribus se mostra muito mais como uma série dramática do que de ficção. No entanto, o mistério sobre a mente coletiva segue presente, nos entregando aos poucos algumas peças importantes.

Pluribus não é uma série cheia de ação, a protagonista também não exala carisma constantemente, mas tem uma premissa provocadora e cheia de originalidade em uma época de mesmice hollywoodiana. E, ao que tudo indica, ainda vai nos entregar muito mistério e drama!

Michele Lima

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