Do Fundo da Estante: Igual a Tudo na Vida

Igual a Tudo na Vida

Após Desconstruindo Harry (1997), Woody Allen entrou numa sequência de filmes tão chatos que acabei deixando alguns pelo caminho por pura preguiça. Esses dias passou na Bandeirantes este Igual a Tudo na Vida, no qual o protagonista Jason Biggs (American Pie) foi outro motivo que me fez não querer assistir na época, apesar da co-protagonista ser a Christina Ricci, que eu adoro.

Ambos estão bem em cena, cuja história é inspirada na juventude do próprio Woody Allen em seus primeiros passos como roteirista de cinema, ao mesmo tempo em que se apaixona e não consegue avançar no relacionamento com uma instável jovem. O próprio Woody está no elenco, mas coube a Biggs ser o seu alter ego e ele não fez feio. Filmava durante o dia e a noite atuava no teatro em A Primeira Noite de um Homem, onde contracenava com ninguém menos que Kathleen Turner.

Por incrível que pareça há uma inusitada química entre ele e a baixinha Ricci, sempre ótima em cena. Ambos tiram de letra o texto afiado, segurando sequências inteiras e sem cortes, algo que raramente vemos nos filmes atuais. Ponto extra também para os coadjuvantes Danny DeVitto e Stockard Channing, escolhas perfeitas para seus impagáveis personagens.

Foi um achado e tanto descobrir em pleno 2026 este, que é um dos filmes mais desprezados de Allen, que não aparece nem no pôster original e nem no trailer. Ele está ótimo em cena, como o também roteirista David, parceiro do protagonista, o alter ego e o próprio co-existindo em cena sem aquele tratamento megalomaníaco. É David quem vai ser o confidente e conselheiro, numa espécie de consciência materializada. Outro destaque é a fotografia de Darius Khondji, que está indicado ao Oscar este ano por seu excelente trabalho em Marty Supreme. É raro uma comédia de costumes ter uma fotografia de alto nível e aqui o resultado impressiona. Por fim, Woody sempre faz questão de que a trilha sonora tenha muito de jazz de qualidade e Billie Holiday está presente em várias ocasiões. Desta vez ele optou por gravações dela com a orquestra de Teddy Wilson, como é o caso de Easy to Love, The Way You Look Tonight e I Can’t Believe That You’re in Love with Me, um deleite para os ouvidos de qualquer pessoa com o mínimo de bom gosto.

Em tempos de filmes onde os diálogos estão sumindo cada vez mais pro agrado da geração Tik Tok, fiquei feliz em ter novamente contato com um material antigo e bom de Woody Allen.

Italo Morelli Jr.

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