Eu gosto bastante da parceria entre Yorgos Lanthimos e Emma Stone, e Pobres Criaturas segue como um dos meus filmes favoritos dos últimos tempos. Não por menos, minha expectativa estava alta com Bugonia e não me decepcionei, embora seja o filme menos esquisito do Yorgos.
O longa é uma adaptação do filme coreano Salve o Planeta Verde (CLIQUE AQUI)e, ainda que o roteiro traga os fatos para a realidade americana, Yorgos consegue ser fiel à obra original. Em uma reflexão sobre o mundo, o filme coloca no liquidificador temas como meio ambiente, negacionismo, fake news, teorias da conspiração (coisa que americano ama), capitalismo, socialismo, entre outros.
Na trama, acompanhamos Teddy (Jesse Plemons), um homem obcecado por teorias da conspiração que, com a ajuda de seu primo Don (Aidan Delbis), sequestra a poderosa CEO de uma grande empresa, Michelle (Emma Stone), convencidos de que ela é uma alienígena infiltrada na Terra com a missão de destruir a humanidade. À medida que a história avança, o filme vai nos mostrando as outras motivações de Teddy para tal sequestro.
O elenco é primoroso. Emma Stone, mais uma vez, brilha em um roteiro lunático sob a direção de Yorgos, e Jesse Plemons (que deveria ter sido indicado ao Oscar) não fica por menos, já que consegue provocar raiva, pena e até medo com seu personagem. É interessante, inclusive, que em seu trabalho o personagem seja verdadeiramente um doce de pessoa. Há passagens bem angustiantes, como a visita do policial à casa de Teddy e a forma como Don reage à castração química, sendo que o personagem já tinha sérios problemas psicológicos.Gostaria de ter visto mais do passado dessa família, mas entendo que a escolha foi deixar tudo nas entrelinhas.
Bugonia expõe de maneira bem didática uma parcela da população que se alimenta de qualquer tipo de informação, mesmo sem fundamento, para dar sentido à própria vida medíocre. O longa consegue mesclar a raiva profunda vivida por Teddy, a ótima persuasão de Michelle e um humor caótico. Em vez de ficar chocada com o final, dei boas risadas com a loucura em tela.
Em tempos de mesmice hollywoodiana, Yorgos busca na obra coreana um ponto de originalidade e, sem dúvida, este é um dos filmes mais diferentes da temporada.
Michele Lima
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