Manas [Crítica do Filme]

Manas, da diretora Marianna Brennand, é um longa brasileiro que já conquistou mais de 20 prêmios! É um daqueles filmes que perturba mais pelo que sugere do que pelo que mostra. O que fica na imaginação é realmente estarrecedor, graças ao talento da jovem atriz Jamilli Correa, de apenas 16 anos. Ela vive a protagonista Marcielle de 13 anos, moradora da Ilha de Marajó que vive em uma casa de palafitas com os pais e três irmãos. Uma das irmãs, Cláudia, foi embora com um balseiro em busca de uma vida melhor.

Ao se dar conta que vive num ambiente abusivo e sem muitas opções, tanto em casa tanto com os balseiros que compram o açaí de sua família, Tielli começa reunir a coragem necessária para escapar desta situação, mas se vê presa num esquema estrutural que envolve até a igreja e o comércio local.

Bem filmado, montado, fotografado e sonorizado, Manas tem um bom ritmo e trata o tema espinhoso com delicadeza, o que faz com o que o expectador se envolva cada vez mais na espiral de insanidade, na qual o ser humano se afunda em nome da sobrevivência. A diretora Marianna Brennand disse ter demorado dez anos para conceber Manas, entre pesquisa, produção e realização. O resultado não seria tão impactante se a protagonista não fosse Jamilli Correa. Seus olhos expressivos e silêncios que dizem muito, foram essenciais para compor a destemida personagem. Aqui e ali, arrepiantes acontecimentos surgem na tela de maneira comedida, porém não menos impactantes.

Gostei de Manas, mas, infelizmente, o final que deveria ter um impacto gigante pra ligar todas as situações, é abrupto e anticlimático. Merecia uns cinco minutos a mais pra lavar a alma das vítimas e também as nossas, meras testemunhas de um mundo cuja representação em Manas é competente, mas passa longe da realidade.

Disponível no Telecine e no Canal Brasil

Italo Morelli Jr.

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