Do Fundo da Estante: O Guarani

O cinema brasileiro mal tinha começado sua retomada e Norma Bengell (1935 – 2013) teve a coragem de levar O Guarani, do romance de José de Alencar, para as telas do cinema.

Atriz consagrada no Brasil e na Europa, Norma tinha dirigido apenas o curta Maria Gladys – Uma Atriz Brasileira (1979) e o longa Eternamente Pagu (1988) antes de encarar este O Guarani, o que lhe trouxe algumas dores de cabeça, como a prestação de contas recusada pelo Ministério da Cultura, já que também era a produtora. Outros problemas como a parte técnica prejudicaram muito o resultado final, sendo duramente rejeitado por crítica e público.

No Brasil do século 17, uma família de colonizadores portugueses, cujo patriarca é Dom Antônio de Mariz (Herson Capri), vive numa fortaleza construída próxima às terras dos índios Aimorés. A família e os índios, especialmente Peri (Márcio Garcia), da tribo dos Goytacazes, vivem em paz até serem perturbados por Loredano (José de Abreu), um ex-padre que lidera uma conspiração e provoca a morte de uma Aimoré. A tribo revoltada massacra toda a família portuguesa, porém há uma sobrevivente, Ceci (Tatiana Issa), filha de Dom Antônio, que consegue escapar graças à ajuda de Peri e óbvio, irão se apaixonar.

Com bela trilha sonora de Wagner Tiso, Norma fez o que pode, mas sem experiência em superprodução e em cenas de batalha, o resultado ficou um pouco aquém do necessário. Mesmo assim, ela extraiu boas atuações do então estreante Márcio Garcia e de Glória Pires no papel da irmã de Ceci, além de ter conseguido concluir o projeto com menos de 4 milhões de reais.

Contando uma história sobre o choque cultural entre povos indígenas e portugueses, O Guarani é um filme brasileiro que merece ser visto apesar de suas limitações.

FICHA TÉCNICA

Título: O Guarani
Direção: Norma Bengell
Data de lançamento: 1996

Italo Morelli Jr. 

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