Na estrada aberta por Instinto Selvagem (1992), A Cor da Noite é um suspense erótico que liga o f*da-se desde o início e não se dá ao trabalho de esconder quem é o psicopata e quem é a principal vítima – e por isso funciona. Sem pretensão e sem enfileirar aquelas reviravoltas que ao invés de surpreender fazem o espectador de idiota, A Cor da Noite resistiu ao tempo e se tornou um clássico cult que ninguém tem vergonha de assumir que gosta.
Nova York e o psiquiatra daltônico Bill Capa (Bruce Willis, nem aí pros críticos), assiste ao suicídio de uma paciente e, traumatizado, segue para Los Angeles até a casa do colega de profissão Bob Moore (Scott Bakula), onde conhece alguns de seus clientes.
Quando Bob é brutalmente assassinado, Bill assume o grupo, começa a suspeitar de cada um pacientes (um mais maluco que o outro) e também passa a ser perseguido pelo serial killer que tenta matá-lo numa sucessão de armadilhas. Bill então conhece Rose (Jane March, de O Amante, e bem à vontade), com quem se envolve sexualmente e parece ser a pessoa mais enigmática que já passou pela sua vida.
O saudoso Richard Rush não fazia nada desde o ótimo O Substituto (1980), pelo qual foi indicado ao Oscar de melhor diretor. Merecia também uma indicação por este A Cor da Noite, pois conseguiu conduzir um amontoado de clichês do gênero policial/suspense com uma segurança invejável. Temos aqui tudo o que se espera e em alta voltagem: as cenas de perseguição, mortes e sexo são surpreendentes e com zero disfarces.
Sem medo de ser feliz, A Cor da Noite tem um pé na Tela Quente (Globo) e outro no Cine Privé (Bandeirantes), porém só foi exibido no Cinema em Casa do SBT e sem cortes. Quem chegou em casa após pegar chuva no trajeto, tirou os sapatos, abriu uma cerveja, ligou a TV “no canal 4” e se deparou com esse ótimo representante dos anos 90, ficou grudado na telinha e a cada gole na latinha de Antártica, a empolgação só aumentava. Mesmo com duas horas de duração, a projeção não perde o pique graças as revelações bem sacadas que vão sendo dosadas como se deve.
Ao final, a satisfação de já ter adivinhado quem era o psicopata, qual era o mistério da mocinha e que Bruce Willis parecia estar num quarto filme da franquia Duro de Matar!
FICHA TÉCNICA
Título: A cor da noite
Título Original: Color of Night
Direção: Richard Rush
Data de lançamento:19 de agosto de 1994
Italo Morelli Jr.
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