Histórico Criminal [Crítica da Série]

Peter Capaldi e Cush Jumbo juntos é uma deleite! Me apaixonei pelo Capaldi quando ele fez o Décimo segundo Doutor, rabugento e roqueiro e Jumbo está excepcional em The Good Fight! Os dois protagonistas não me decepcionaram em nada na série de investigação Histórico Criminal (Criminal Record) da Apple TV. Aliás, uma pena que a Apple não invista em divulgação no Brasil, séries como essa merecem burburinho tanto quanto as da Netflix. Porém, se a empresa está contente, quem sou eu pra reclamar…

June Lenker (Cush Jumbo) é uma detetive encarregada de investigar um áudio de uma vítima anônima de violência doméstica. Uma mulher liga de um telefone público dizendo que seu namorado está ameaçando matá-la com a mesma faca que matou outra mulher, anos antes, e se gaba pelo fato de outra pessoa ter sido condenada em seu lugar, sentenciado a 24 anos de prisão no presídio em Whitecross. As pistas levam ao caso de Errol Mathis (Tom Moutchi) que, depois de sofrer um acidente no mesmo dia que sua namorada é assassinado a facadas, confessa que cometeu o crime. 

O conteúdo da chamada de voz poderia ser uma pista falsa, mas June vai a fundo na investigação e se depara com o poderoso detetive Daniel Hegarty (Peter Capaldi), responsável pelo caso anos atrás. Obviamente que Daniel não fica nada satisfeito com June tentando provar que ele cometeu alguma falha na investigação e acaba se tornando o maior inimigo da protagonista, em um incrível jogo de gato e rato.

June tem um filho do primeiro casamento, mas agora é casada com um homem branco, Leo (Stephen Campbell Moore). A princípio ela até acredita que pode estar exagerando sobre as questões raciais que envolvem o caso, muitas vezes pelos comentários de Leo, mas aos poucos ela percebe não só a corrupção dentro da polícia como também que seus instintos sobre racismo estavam certos. Ela se une à antiga advogada de Errol, mas a tarefa não é nada fácil, já que o próprio confessou o crime e ainda tem a declaração do filho da vítima, Patrick.


Criminal Record tinha tudo para ser uma série cheia de clichês de investigação policial, mas se sobressai bastante pelo difícil quebra-cabeça do caso e dos personagens principais! Daniel de Capaldi é traiçoeiro, mas bastante convincente nos seus argumentos, chega em um determinado momento que seu caráter duvidoso é humanizado, ao nos mostrar um pouco mais de sua vida, Já June é uma protagonista boa, mas também humana que comete alguns erros. A química dos atores é maravilhosa e nos entrega um duelo viciante!

A trama, que só tem 8 episódios, apesar de parecer comum, tem boas surpresas! E a direção sempre deixa ótimos ganchos no final de cada episódio. A resolução do caso pode até não surpreender muito, mas garanto que a jornada desses suspense vale muito a pena!

Michele Lima

Michele Lima

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