“Ele queria ser nós. Tudo o que somos no mundo. Ele queria nossa vida, essa coisa sem valor. Feriu-se com uma faca para conseguir isso. Ele nos invejava. Não somos dignos de ser invejados.”
Existe uma teoria de que estamos ligados a qualquer pessoa do mundo por, no máximo, seis pessoas. A gente sempre conhece alguém, que conhece alguém que conheceu um famoso ou um anônimo que se tornou famoso. No caso deste Seis Graus de Separação, Paul (um excelente Will Smith, na melhor atuação de sua carreira) consegue convencer os ricaços Ouisa (Stockard Channing) e Flan Kittredge (Donald Sutherland) de que é filho de Sidney Poitier. Isso basta para que ele fure a bolha se infiltre na vida do casal, dando início a um intrincado jogo de manipulações, conflitos de classe, racismo e sexualidade.
Longe dos tempos do politicamente correto, o humor ácido corre solto aqui, elevado a outro nível graças ao ótimo timing que Will Smith possui desde os tempos de Um Maluco no Pedaço. O diretor Fred Schepisi, de Roxanne (1987) e A Casa da Rússia (1990), fez aqui “o seu Anjo Exterminador” (1962, do cineasta Luis Buñuel), um filme elegante que não esconde sua origem teatral, mas que consegue ser cinema dos bons, impiedoso com sua crítica social.
Donald Sunderland e Stockard Channing estão excelentes, principalmente Stockard que está em estado de graça e brilha muito no ato final com seus lapsos de humanidade, sendo inclusive indicada ao Oscar de melhor atriz.
Com um texto incisivo, um ótimo trio de atores e uma direção que sabe por onde ir e até onde pode chegar, Seis Graus de Separação é uma ótima pedida, feito há 30 anos e ainda muito atual.
FICHA TÉCNICA
Título: Seis graus de separação
Título Original: Six Degrees of Separation
Direção: Fred Schepisi
Data de lançamento: 8 de dezembro de 1993 (EUA)
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