É sério que gastaram 400 milhões de dólares pelos direitos autorais de O Exorcista pra isso?
Primeiro de uma trilogia anunciada, O Exorcista – O Devoto é um filme vazio, que não funciona como continuação do clássico de 1973 e nem como um filme qualquer sobre crianças possuídas pelo demônio. O diretor David Gordon Green já havia mostrado sua falta de afinidade com o gênero terror ao assinar (e assassinar) a recente trilogia Halloween. Pouco se aproveita dos três filmes, cuja qualidade vai caindo de um pra outro até sua decepcionante conclusão.
O primeiro Halloween até foi um interessante ponto de partida, mas este novo O Exorcista nem isso consegue. Com seu roteiro frágil, fica difícil imaginar o que ainda pode ser desenvolvido em mais dois longas-metragens.
Depois de um prólogo que busca fazer uma referência ao filme de 1973, as adolescentes Katherine e Angela (as talentosas Olivia O’Neal e Lidya Jewett) desaparecem numa floresta e reaparecem após três dias. Ambas estão abaladas, feridas e apresentam um comportamento agressivo. Não demora para que o mal se manifeste e pessoas de várias regiões se unem para uma sessão de exorcismo. Os pais de Katherine são protestantes, mas o pai de Angela, Victor (Leslie Odom Jr) perdeu sua fé desde que perdeu a esposa.
O clímax tem de tudo, mas o problema é que esse tudo já foi feito tantas vezes de 73 pra cá, que nada mais impressiona. Nem as rápidas participações de Ellen Burstyn e Linda Blair salvam O Exorcista – O Devoto da mediocridade.
Não há o clima angustiante que lentamente nos prepara para o pior, não existe a sensação de medo pairando no ar e nem um único jump scare sequer – sem isso, essa continuação não justifica sua existência e o dinheiro gasto.
Mesmo com algumas cenas de violência explícita, a sensação de filme de Sessão da Tarde é gritante, ou no máximo um Cine Trash esteticamente embelezado e pobre de ambientações. O hospital por exemplo, parece uma unidade básica de saúde e as residências, igreja e etc, não são bem utilizadas – quem viu o original, até hoje se lembra do hospital apavorante onde Reagan é internada (e o barulho da máquina de tomografia), a igreja macabra, a bela casa de Cris McNeil que fica assustadora a noite e o quarto da Reagan onde o exorcismo ocorre. Os efeitos visuais, sejam eles em CGI ou práticos, são competentes, mas não há criatividade na encenação, o que reduz o impacto pretendido.
Essa maldita moda de remexer em filmes clássicos e escorar neles uma trilogia carregada de pretensão e sem conteúdo, precisa acabar. Ou fazem algo requentado, mas competente, como o primeiro Invocação do Mal (2013) ou Hereditário (2018), ou é melhor não fazer nada.
Fortíssimo candidato ao Framboesa de Ouro em várias categorias.
FICHA TÉCNICA
Título: O Exorcista – O Devoto
Título Original: The Exorcist: Believer
Direção: David Gordon Green
Data de Lançamento no Brasil: 12 de outubro
Universal Pictures
Só agora, com o filme disponível na Netflix, resolvi assistir a Armadilha, do diretor M.…
Heated Rivalry (Rivalidade Ardente), escrita e dirigida por Jacob Tierney, é um drama esportivo lançado…
Lançado como continuação direta de Casamento Sangrento (2019), o filme surge com a difícil missão…
A literatura contemporânea encontrou, nos últimos anos, um terreno fértil para protagonistas moralmente ambíguas, especialmente…
Hong, a Infiltrada, dorama disponível na Netflix, rapidamente se tornou um dos meus preferidos! A…
O Brasil que fomos e que (infelizmente) ainda somos. O Brasil que não conhece o…
Nós usamos cookies para melhorar a sua navegação!