Do Fundo da Estante: Vampyros Lesbos [Crítica]

O cultuado/detestado diretor Jess Franco (também conhecido como Jesús Franco) errou muito em filmes bem rudimentares, mas quando acertou, deu ao mundo este belo e enigmático Vampyros Lesbos.

A originalidade já começa quando a história se passa num cenário ensolarado, sem castelos e sem takes noturnos. Saem os típicos ratos e morcegos e entram libélulas e escorpiões, cai o clima de Transilvânia e emerge uma “Ibiza” delirante, quente e sofisticada. Fica de lado o plot Nosferatu/Drácula e sem querer (ou querendo?), Jess Franco fez um filme feminista e feminino. Soledad Miranda se tornou merecidamente um mito, e sua partida aos 27 anos só reforçou ainda mais essa condição.

A Condessa Oskudar (a lendária Soledad Miranda, creditada como Susann Korda) toma sol numa casa a beira mar, bebe vinho durante o dia e de noite faz um show erótico onde seduz e ataca suas indefesas vítimas femininas. Homens? Os que aparecem aqui são dignos de desprezo, paspalhos e incapazes de satisfazer suas mulheres em nenhum aspecto.

Quando a corretora Linda (a muito linda Ewa Strömberg) chega pra fazer a parte burocrática dos bens herdados da Condessa, ambas se conectam e se apaixonam, causando mudanças profundas nas vidas de ambas.

Com uma fotografia de cair o queixo, repleta de zoons e enquadramentos originais, o diretor Jess Franco usa bem a já clássica trilha sonora, que dita o ritmo hipnotizante da película, sempre num tom de pesadelo, seis anos antes de Suspíria (1977) do diretor italiano Dario Argento.

Vampyros Lesbos merece figurar entre os melhores filmes de vampiro da história.

FICHA TÉCNICA

Título: Vampyros Lesbos
Direção: Jess Franco
Data de lançamento: 5 de julho de 1971 (Alemanha)

Italo Morelli Jr.

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