Do Fundo da Estante: Trilogia Indiana Jones

Steven Spielberg em seu primeiro longa entregou ação, suspense e um terror psicológico de primeira. Feito para TV em 1971, Encurralado já mostrava o talento do jovem diretor para fazer entretenimento de qualidade. O auê foi tanto que o longa foi parar nas telonas e o nome Spielberg virou grife.

Eis que veio Tubarão (1975) e sua aclamação mundial. Não demorou muito e em 1981, Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida arrebatou público e crítica. A história do arqueólogo Indiana Jones em um longa de ação quase ininterrupta inspirada em artigos seriados rendeu oito indicações ao Oscar, inclusive de melhor filme e direção, e quatro estatuetas. Era o começo de uma das maiores e mais aclamadas trilogias do cinema.

Deixando um pouco de lado as homenagens aos seriados antigos e focando em sequências marcantes (como a do túnel, a do jantar e a do ritual) Spielberg nos presentou com o espetacular Indiana Jones e o Templo da Perdição. Tão bom quanto a estreia, lotou os cinemas no mundo todo e o caderno de reservas das videolocadoras. Certamente a franquia A Múmia não existiria sem esta pérola. E quando ninguém achava que o tio Spielberg não surpreenderia mais, em 1989 o sensacional Indiana Jones e a Última Cruzada foi lançado e mais uma vez agradou.

Cada parte desta impecável trilogia é carregada de pontos positivos que, unidos e bem urdidos por quem entende, resultou em filmes tão bons, que até hoje são reverenciados mesmo se comparados aos filmes da DC e da Marvel. Desde a inesquecível trilha sonora aos sempre marcantes vilões, tudo funciona com perfeição. Harrison Ford, já com uma sólida reputação construída na trilogia Star Wars, nunca será superado como o protagonista Indiana Jones. Depois ele teve que batalhar muito para provar que era um ator além dos filmes de ação, sendo indicado ao Oscar por A Testemunha (1985), sua única nomeação até hoje.


A escolha dos saudosos River Phoenix e Sean Connery como sua versão jovem e seu pai respectivamente em A Última Cruzada, foi outro acerto pra ninguém botar defeito. Destaque também para a impagável Kate Capshaw como a histérica e engraçada mocinha de O Templo da Perdição, esposa de Spielberg até hoje.

E por incrível que pareça, entre um Indiana e outro, Spielberg realizou ET (1982), A Cor Púrpura (1985) e Império do Sol (1987). É pouco?

É muito, se considerado o espaço de tempo entre um longa e outro, além dos orçamentos muito menores do que os arrasa-quarteirões de hoje.

Com um pé em 2023, vale muito maratonar os três filmes seguidos, com ou sem pausa para o lanche, e constatar o portentoso edifício que Spielberg construiu com essas três obras-primas.

Houve até um quarto filme em 2008 e um quinto filme está por vir, mas…

Italo Morelli Jr.

Na Nossa Estante

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