Ruptura [Crítica da Série]

Em Ruptura, cinco funcionários de uma empresa chamada Lumen aceitam participar de um procedimento experimental onde suas memórias pessoais e de trabalho são permanentemente separadas. Quando estão no escritório, só terão as lembranças referentes ao trabalho e em casa não lembraram das situações profissionais. 

Uma empresa misteriosa com segredos obscuros faz de tudo para manter o seu sigilo do seus próprios funcionários, Mark S (Adam Scott) é um dos primeiros a ser cobaia do experimento. Quando seu amigo de escritório, Petey (Yul Vazquez), é demitido, ele começa a perceber a grande conspiração por trás daquela corporação. 

Tudo é perfeitamente detalhado em Ruptura, desde a sua abertura até as trocas de olhares entre os personagens, satirizando os detalhes abusivos de trabalho envolvido em um suspense tenso com muitas reviravoltas e boas doses de ficção científica. 

A série nos faz refletir sobre a vida que levamos entre o trabalho e a pessoal, o quão é difícil viver entre esses dois mundo. Imagina você chegar no seu trabalho e não lembrar da sua vida pessoal, não lembra que tem pais, irmãos, dívidas e emoções que carregamos no diariamente? Na poderosa empresa Lumen, funcionários de determinados setores voluntariamente se sujeitam ao processo de ruptura, uma cirurgia no cérebro que cria duas personalidades distintas: existe o funcionário da empresa e a pessoa fora do ambiente de trabalho, a mesma pessoa, com memórias distintas. Assim, quando entra na empresa, o funcionário não tem mais conhecimento nenhum de sua vida fora dali.

 
Os detalhes chamam muito a atenção no ambiente de trabalho, a frieza estética do ambiente, sempre com tons sóbrios em prédios grandes e salas espaçosas para mostrar quão pequeno é o funcionário perto daquela instituição.  Você é apenas uma engrenagem dentro desta empresa. Toda tecnologia utilizada é meio anacrônica, com ecos dos anos 90, tudo para manter o foco apenas do trabalho, não tem internet, nem tvs ou revistas, apenas cada um cumprindo a sua função. 

A proposta de Ben Stiller é perfeitamente vista com a atuação de Adam Scott. O clima de desconforto sempre está presente nas cenas! Ruptura deixa claro que a sátira em si não precisa ser engraçada ,os comportamentos de trabalho vistos na série são levados ao extremo. Ainda assim, em meio ao clima tenso e ao absurdo, há espaço para o humor, principalmente na relação de trabalho de Mike com seus colegas Dylan (Zach Cherry) e Irving (John Turturro), que também ganham desenvolvimento à medida que a temporada cresce. 

Quanto mais você mergulha na série, mais interessante ela fica, leves ganchos são colocados entre os episódios, não forçando a barra pra você assistir tudo bruscamente, você aprecia a beleza da série aos poucos. E rostos familiares pode chamar a atenção como o de Christopher Walken, fazendo cenas lindas com John Turturro.

A série brinca com os discursos motivacionais e destrói todo o discurso de que a empresa “é uma grande família”. A figura da chefe ironicamente chamada Harmony (harmonia, em português), vivida por Patricia Arquette, é perturbadora!

Enfim, Ruptura tem tudo pra ser uma das melhores séries de 2022.

Everton

One thought on “Ruptura [Crítica da Série]

  • 13 de julho de 2022 em 18:23
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    Já vou anotar para assistir em certa oportunidade.

    Boa semana!

    O JOVEM JORNALISTA está no ar com muitos posts e novidades! Não deixe de conferir!

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    Até mais, Emerson Garcia

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