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Do Fundo da Estante: Programa Livre [Nostalgia]

A maior aposta de toda a existência do SBT sem dúvida foi o inesquecível e saudoso Programa Livre (1991 – 1999).
Serginho Groisman tinha por volta de 41 anos e com seu eterno jeito de garotão (que felizmente persiste até hoje aos 71 anos) era o comunicador televisivo que os jovens precisavam. Jovens esses que lotavam o auditório onde se realizavam entrevistas, shows, quadros humorísticos, imitações e piadas feitas com voluntários da plateia, e até o próprio Serginho chegava a abrir o programa cantando. Tudo podia acontecer e acontecia por conta da espontaneidade da atração. Inclusive o presidente Collor (que só perde pro atual em termos de incompetência) se propôs a ficar no fogo cruzado, sendo confrontado com perguntas dos estudantes mais do que indignados. E dá-lhe apresentações dos internacionais Kiss, Smashing Pumpkins, os nossos Legião Urbana, Titãs, É o Tchan, personalidades, seleção de vôlei, profissionais do sexo, jogadores de basquete, adictos em recuperação prestando relatos de vida, craques do futebol, lutadores de judô, radialistas, pilotos, políticos, Maguila…Centenas passaram pelo palco do Programa Livre, sempre conduzido com pulso firme e 100% de empenho e carisma pelo incansável Serginho, mesmo com 26 trocas de horário.
Sempre com boa audiência, o Programa Livre começou a ser exibido nas tardes, mudou para o horário da noite e era constantemente trocado conforme a audiência sofria alguma perda. Este foi o principal motivo para que Serginho aceitasse, no ano 2000, uma proposta da Rede Globo para apresentar o Altas Horas. Exibido de madrugada, o Altas Horas começou com um formato parecido com o do Programa Livre, acrescido do “padrão Globo de qualidade”. O cenário era maior e mais caprichado, a iluminação melhor e uma banda ao vivo formada só por mulheres dava o charme especial. De 1991 a 1996, o Programa Livre foi gravado no antigo estúdio na Rua Dona Santa Veloso, 575, na Vila Guilherme, em São Paulo e de 1996 a 2001, o programa foi gravado no Centro de Televisão da Anhanguera, em Osasco.
Mesmo a extinta MTV, uma emissora com uma programação voltada para o mais jovens e com apresentadores deslocados e igualmente jovens, não conseguiu chegar no mesmo nível de excelência. A programação era de qualidade, nos deram ótimas entrevistas, especiais e acústicos, porém a pluralidade do Programa Livre nunca foi alcançada e até os dias de hoje não existe nada parecido. Serginho Groisman causou uma revolução que, infelizmente, não teve efeito tão duradouro como se esperava. Pra se ter uma ideia, se lançado hoje, sofreria com censura, boicote e cancelamentos, sem chance de redenção e evolução.
Mais do que nunca, o Programa Livre merecia estar no ar, atualizado e atualizando o seus telespectadores mais fiéis, nesta época tão retrógrada, num Brasil que parece ter voltado uns trintas anos no tempo e que insiste em reviver apenas o que houve de ruim em épocas passadas.
Italo Morelli Jr.
Na Nossa Estante

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