Ammonite [Critica do Filme]

Delicada cinebiografia “imaginada” da paleontóloga inglesa Mary Anning, especialista em fóssil de amonite, uma espécie de molusco cefalópode.
Oprimida e solitária, Mary é uma mulher madura que vive com a mãe (Gemma Jones) numa casa simples a beira mar em Dorset, onde faz escavações à procura dos amonites, sem nunca ter o devido reconhecimento creditado por suas descobertas e avanços – a história se passa por volta de 1840 e o máximo que ela consegue é vender algumas peças numa pequena loja.
A chegada do ricaço Roderick Murchison (James McArdle) e sua jovem esposa Charlotte (Saoirse Ronan) vai alterar profundamente sua rotina. De início, Roderick paga para caçar os tais amonites pela praia e já desiste no primeiro dia após encontrar apenas fezes fossilizadas. Depois ele decide trazer Charlotte, que se encontra deprimida, para que possa passar uns dias no local e cuidar da saúde.
Mary então se encanta com Charlotte e é correspondida e o envolvimento entre elas acontece – não com a intensidade do longa francês Azul é a Cor mais Quente (2013), ainda que as cenas de sexo sejam ousadas.
Mais do que um romance lésbico vitoriano, Ammonite é sobre a união entre essas duas mulheres, cujo mundo outrora cinza e sombrio de ambas, finalmente ganha vida. Mary, em mais uma interpretação brilhante de Kate Winslet, é quase um amonite: dura, fria e com suas emoções fossilizadas, cheias de camadas prontas para serem retiradas. Charlotte não é tão diferente, porém é mais jovem e ainda possui um ânimo que Mary visivelmente não tem mais.

Ammonite enquanto filme também se assemelha a um amonite fossilizado. Não tem cor, não tem emoções calorosas, é silencioso, triste e necessita de paciência para se revelar. E quando o faz, é uma bela descoberta.
Trailer

FICHA TÉCNICA
Título: Ammonite
Diretor: Francis Lee
Data de lançamento: 11 de setembro de 2020
Até o momento disponível para aluguel no Youtube.
Italo Morelli Jr.

Na Nossa Estante

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