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Judas e o Messias Negro [Crítica do Filme]

Judas e o Messias Negro narra a ascensão e queda do lendário Fred Hampton (Daniel Kaluuya), o ativista dos direitos dos negros e revolucionário líder do partido dos Panteras Negras. Politicamente engajado, ele atrai a atenção do FBI, que contrata o ladrão de carros William O’Neal (Lakeith Stanfield) para se infiltrar nos Panteras Negras com objetivo de vigiar e sabotar o movimento, culminando no assassinato de Hampton.
A força que move Judas e o Messias Negro atende pelo nome de Daniel Kaluuya. Sua atuação poderosa é a alma do filme e acaba por torná-lo melhor do que ele realmente é, mesmo que todos saibam o seu desfecho.
A opção por focar menos nos Panteras Negras e mais na operação que irá matar Hampton deixou o resultado final próximo de qualquer episódio de CSI ou Nova York contra o Crime, elevando William O’Neal ao posto de protagonista da história – uma decisão arriscada que tira parte do impacto de um momento importante do ativismo pelos direitos dos negros norte-americanos, ainda que abra as feridas de um país assumidamente racista.
A cada discurso vigoroso de Hampton (interpretado com fúria por Kaluuya) o diretor Shaka King dá uma quebrada no ritmo ao dar um espaço maior para a parceria entre O’Neal e o agente do FBI Roy Mitchell (Jesse Plemons) e o envolvimento amoroso de Hampton com Deborah Johnson (Dominique Fishback), deixando a tão interessante saga dos Panteras Negras com um enfoque menor do que gostaríamos de ver.
Em seu primeiro longa-metragem King surpreende, mas entrega um material que poderia ter sido melhor desenvolvido. Sua direção é muito competente e ele é um nome que veio pra ficar. No entanto, Judas e o Messias Negro deixa a impressão de que funcionaria melhor como um documentário, mesmo porque altera alguns fatos e datas no intuito de causar um impacto dramático maior.
O resultado, enquanto arte, ficou um pouco morno. Ambos protagonistas indiscutíveis, Daniel e Lakeith foram indicados ao Oscar de coadjuvante, sendo Daniel o vitorioso. Ganhou também o Oscar de canção original e infelizmente perdeu o de melhor fotografia, realmente excelente. Shaka King não conseguiu ser indicado ao prêmio de diretor, mas conseguiu um feito inédito a concorrer ao prêmio principal: foi inteiramente produzido por negros. Além de King, Charles D. King e Ryan Coogler completam o time.
TRAILER
FICHA TÉCNICA
Título: Judas e o Messias Negro
Título Original: Judas and the Black Messiah
Direção: Shaka KIng
Data de lançamento: 25 de fevereiro de 2021
Warner Bros Pictures
Italo Morelli Jr.
Na Nossa Estante

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