Cassie (Carey Mulligan, em seu melhor momento na carreira) tem 30 anos, mora com os pais, desistiu de ser médica e trabalha numa simples cafeteria fofa e colorida. Ela frequenta bares da região, finge estar bêbada e acaba atraindo aquele falso bom moço, que vai levá-la pra casa (dele) e abusá-la. Na hora H, Cassie diz com um timbre de voz de gelar a espinha: O que você está fazendo? Para ódio do criminoso, a transa não acontece e Cassie humilha o infeliz. A verdade é que Cassie passou por trauma recente e se dedica a fisgar potenciais estupradores e dar aquele susto.
Carey Mulligan foi ótima em Educação (2011), pelo qual recebeu uma merecida indicação ao Oscar de melhor atriz e mostrou serviço em Drive (2011), Shame (2011), As Sufragistas (2015), Mudbound (2017) e Vida Selvagem (2018) sem receber nenhuma outra indicação sequer. Ao equilibrar a aparentemente menininha frágil com uma mulher determinada a cumprir as metas do seu caderninho de vingança, Carey oferece aqui o melhor desempenho de sua carreira e Cassie é sem dúvida, a personagem mais marcante de 2020. Palmas para a incrível Emerald Fennell, que escreveu e dirigiu este baita filme.
A primeira vista, parece uma complicação de clichês sobre machismo, mas as situações mostradas são muito recorrentes e estão incomodando os machos de plantão que esperavam do filme algo parecido com Doce Vingança (1978 e 2010), que pende mais para a franquia Jogos Mortais, recheado de cenas de violência extrema. O infeliz título em português, Bela Vingança, até faz essa conexão, porém o trabalho de Emerald é grandioso, classudo, dirigido com maestria e passa longe do trash.
O roteiro toca na ferida do patriarcado, do abuso e da impunidade. E vai além ao destacar a união dos homens se sobrepondo ao feminismo. É revoltante, porém são os fatos e não tem como negá-los. Carey Mulligan faz aqui um solo invejável, cercada por um competente elenco. Sua presença em cena é intensa ao ponto de não sabermos mais onde começa Carey e onde termina Cassie.
O final, bastante polêmico, foi criticado e eu concordo com a declaração da própria roteirista e diretora: é o único final possível e um espelho da realidade.
Ei, Italo, tudo bem? Eu já tinha ouvido falar desse filme, mas ele não tinha despertado a minha curiosidade em assistir, mas pela sua resenha parece ser um ótimo filme, com um ótimo elenco e produtores! Beijos
Um dos motivos q eu não vi na época que eu vi notícias sobre foi que eu fiz essa associação a doce vingança e foi uma filme que me deixou traumatizada, mas lendo seu texto agora acho que super daria uma chance para o filme. Seguindo o Coelho Branco
Já adicionei para ver. Sua resenha me deixou mais curioso em ver esse longa.
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Ei, Italo, tudo bem? Eu já tinha ouvido falar desse filme, mas ele não tinha despertado a minha curiosidade em assistir, mas pela sua resenha parece ser um ótimo filme, com um ótimo elenco e produtores! Beijos
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Um dos motivos q eu não vi na época que eu vi notícias sobre foi que eu fiz essa associação a doce vingança e foi uma filme que me deixou traumatizada, mas lendo seu texto agora acho que super daria uma chance para o filme.
Seguindo o Coelho Branco
Já adicionei para ver. Sua resenha me deixou mais curioso em ver esse longa.
Boa semana!
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Até mais, Emerson Garcia