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Estados Unidos VS Billie Holiday [Crítica do Filme]

Injustamente massacrado pela crítica e pelo público, tenho a impressão de que poucos desses críticos parecem familiarizados com a história da biografada, simplesmente não são fãs da artista ou se consideram experts no assunto. E pior: parece terem uma vaga noção do que eram os anos 30 lá nos EUA em relação aos artistas que viviam do jazz.
O filme é perfeito? Não. É 100, 90 ou 80% fiel aos fatos? Também não e toma algumas liberdades discutíveis. A direção de Lee Daniels é tão boa quanto foi em Preciosa? Infelizmente não e poderíamos ter tido aqui uma pegada no estilo inconfundível do diretor Todd Solondz, onde a realidade crua ao extremo é o equivalente a um soco no estômago.
Mas nada disso impede o que se quer contar: o hino antirracista Strange Fruit, eleita a canção do século XXI pela sua importância política e social, é odiado pela elite branca e Billie Holiday é persuadida a não cantá-la em seus shows. E já que não quer acatar tal ordem, então será perseguida pelo seu vício em drogas.
Billie Holiday é mostrada como uma bad ass, com o cigarro numa mão e um copo de bebida na outra no backstage e glamourosa quando está no palco. Se esse não é o retrato mais preciso da Lady Day, também duvido que seja muito diferente. Billie Holiday era uma junkie. De vestido longo, salto alto e casaco de pele, mas era uma junkie e o filme frisa esse aspecto por diversas vezes para que a perseguição sofrida por ela se justifique.
O roteiro toca em muitos pontos polêmicos como sua relação autodestrutiva com o marido que lhe tomava quase todo o dinheiro, o racismo da época que a impedia de usar o elevador social e seu affair com a atriz Tallulah Bankhead (Natasha Lyonne). Sexo, drogas e jazz permeiam a narrativa e não poderia ser de outra maneira – Billie morreu pobre e de cirrose com apenas 44 anos de idade.
A interpretação intensa da cantora Andra Day é tão boa quanto a de Diana Ross em O Ocaso de uma Estrela, de 1972. Entre os dois filmes, um vergonhoso hiato de quase 48 anos e nem sequer tivemos uma cuidadosa minissérie para comemorar o seu centenário.
Produzido pela plataforma de streaming Hulu, ainda conseguiu garfar o Golden Globe de melhor atriz e uma indicação ao Oscar, mesmo com a chuva de críticas negativas que recebeu. A reconstituição de época é notável, principalmente na decoração de interiores. Dá pra sentir todo o clima da época e o melhor, parece ter sido rodado nos anos 80/90.
Quem gosta das músicas da melhor cantora norte-americana de todos os tempos e quer ver em tela uma representação deste conturbado período (na verdade toda a vida de Billie foi conturbada), vai estar diante de um bom filme.
Ainda não é a obra definitiva sobre Billie Holiday e nenhum filme de duas horas conseguiria.
Fica então este registro, um tanto quanto inferior ao que poderia ter sido alcançado, mas nunca um filme descartável que deva ser esquecido.
TRAILER
FICHA TÉCNICA
Título: Estados Unidos VS Billie Holiday
Título original: The United States Vs. Billie Holiday
Direção: Lee Daniels
Data de lançamento: 12 de fevereiro de 20210
Longa disponível no streaming Hulu

Italo Morelli Jr.
Na Nossa Estante

View Comments

  • Olá,
    Esse ano fiquei com preguiça de Oscar, então nem cheguei nesse... mas adoro a Andra e irei conferir.
    E realmente, vi bastante comentário negativo.
    Strange Fruit sempre me lembra Cold Case, episódio pesadíssimo com a música.

    até mais,
    Canto Cultzíneo

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