Do Fundo da Estante: Jovens Bruxas [Nostalgia]

Na segunda metade da década de 90 quando o filme Pânico praticamente inaugurou a categoria “Terror Teen 90’s”, não podia faltar um filme com bruxas jovens. E não faltou.
Não foi exatamente o que se esperava, porém resistiu ao tempo e se tornou uma espécie de cult – em meio a erros e acertos, Jovens Bruxas fez escola, teve a série Charmed (acusada de plágio e que ganhou um reboot há pouco tempo) e vinte e quatro anos depois ganhou uma continuação a ser conferida.
A jovem Sarah (a talentosa Robin Tunney de Niágara, Niágara) se muda de São Francisco para Los Angeles e começa uma nova vida. Lá conhece três alunas do colégio onde estuda – a gótica maluquete Nancy (Fairuza Balk, que domina o filme), Bonnie (Neve Campbell, no auge com o sucesso de Pânico) que possui várias queimaduras no corpo e Rochelle (Rachel True), jovem negra que sofre racismo pesado o tempo todo.
Com fama de bruxas e sofrendo bullying diários, todas são praticantes de ocultismo e quando fazem amizade com Sarah começam a praticar magia juntas, desencadeando um poder que foge do controle, gerando consequências catastróficas.
Sim, Sarah é o elemento que faltava para que uma força maior se manifestasse e, como não poderia ser diferente, essa força é usada para o bem e para o mal. De início, apenas para suas vinganças pessoais, o que agita o telespectador e depois na já desgastada luta do “bem contra o mal”, onde é óbvio que o mal deve ser derrotado para deleite das pessoas do bem. Podia ser assim na vida real também…
O diretor Andrew Flaming vinha do sucesso Três Formas de Amar (1994), tocante filme sobre um jovem triângulo amoroso e parecia ter pulso firme pra comandar outro filme voltado para o público adolescente. Se antes ele extraiu ótimas atuações de Josh Charles, Lara Flynn Boyle e Stephen Baldwin, aqui o resultado é bem irregular, com Fairuza Balk se esbaldando no papel da vilã-mór enquanto as outras três entregam um fraco desempenho.
Entendidos da filosofia Wicca criticaram o que foi mostrado nas cenas ritualísticas (a produção podia ter contratado especialistas no assunto para desenvolver a história) já que, segundo eles, existe uma mistura de bruxaria e rituais pagãos/neopagãos que não possui veracidade. Mesmo assim, houve muito interesse dos jovens na época a respeito do assunto e muitos foram a procura de covens.
Bom entretenimento que não deve ser levado a sério, Jovens Bruxas até merecia vários ajustes para que se tornasse um exemplar memorável do gênero, porém isso seria querer demais de um filme teen lançado em 1996, época na qual polarização política e religiosa, abordagem do racismo e feminismo não estavam na pauta do dia. Jovens Bruxas aborda todos esses temas e infelizmente não se aprofunda em nenhum.
Se a continuação feita este ano não conseguir um pequeno avanço sequer, Jovens Bruxas será sempre lembrado como uma boa ideia desperdiçada por gente incompetente.
FICHA TÉCNICA
Título: Jovens Bruxas
Título Original: The Craft
Direção: Andrew Flaming
Data de lançamento no Brasil: 19 de outubro de 1996

Italo Morelli Jr.

Na Nossa Estante

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