Do Fundo da Estante: Feitiço da Lua [Nostalgia]

A cantora Cher, sempre vista com uma hippie fora de seu tempo e nem sempre levada a sério como cantora, se revelou uma excelente atriz, como pode ser conferido em Silkwood – O Retrato de uma Coragem (1983), que quase lhe deu um Oscar de atriz coadjuvante e em Marcas do Destino (1985), pelo qual nem foi indicada. Para reparar tamanha injustiça, a Academia resolveu lhe dar um Oscar de melhor atriz por este Feitiço da Lua, ao invés da favorita Glenn Close por Atração Fatal.
O que também chama a atenção é que se trata de uma comédia romântica, gênero pouco lembrado nas categorias do Oscar. Só que Feitiço da Lua é tão bom, que acabou indicado a seis Oscar, incluindo Filme e Direção, do talentoso Norman Jewinson.
E como toda comédia romântica, temos um improvável casal, encontros e desencontros, risos e lágrimas. Clichê? Sim, mas tão bem escrito e trabalhado que se assiste com gosto as peripécias da italiana Loretta (Cher, magnífica), uma viúva quarentona que está noiva e vai se casar com Johnny Cammareri (Danny Aielo), o típico italiano de meia idade. Enquanto ele faz uma rápida viagem até a Itália para o funeral da mãe, Loretta vai ao encontro do futuro cunhado, o padeiro Ronny Cammareri (Nicolas Cage), e saber porque ele e o irmão não se falam há anos.
É óbvio que se apaixonam e é claro que o roteiro (também premiado com o Oscar), nos reserva as mais bacanas surpresas ao longo da projeção.
Tudo isso é culpa única e exclusivamente dela, a Lua. É ela quem (pelo menos no filme) instiga todos a viver intensamente cada oportunidade da vida, principalmente os romances, sejam eles duradouros ou não.
Com influências das comédias antigas e com pitadas de sitcom, Feitiço da Lua trata todas as situações com um humor bastante leve e que nunca resvala na maldade. Não é exagero dizer que Nicolas Cage teria aqui a melhor atuação de sua carreira se ele não tivesse feito posteriormente Despedida em Las Vegas (1995), belíssimo drama que lhe deu um merecido Oscar de melhor ator.
Cher está em estado de graça. Convence tanto como a viúva grisalha e recatada como a mulher madura e chic que emana sensualidade por todos os poros. A personagem nem é tão desafiadora, mas adoramos Loretta desde o primeiro frame e concordamos com tudo o que ela faz e fala. Cher ilumina a tela com seu carisma toda vez que surge e a química com Nicolas Cage funciona. A talentosa Olympia Dukakis, que venceu o Oscar de atriz coadjuvante, também está ótima e foi muito bem escalada para o papel da mãe de Loretta.
Com mais de 30 anos, resistiu muito bem ao tempo, não ficou ultrapassado e ainda representa bem o bom cinema americano dos anos 80.
Segue uma rápida entrevista com a querida atriz e dubladora oficial da Cher no Brasil, Carmen Sheila (CLIQUE AQUI), que nos contou gentilmente algumas curiosidades da dublagem de Feitiço da Lua!
Como foi dublar essa personagem da Cher cuja atuação vai da comédia ao drama com bastante sutileza?
Carmen: Lembro que sempre que chegavam os filmes da Cher, eu era escalada e por isso sou a dubladora oficial da Cher no Brasil – dublei inclusive Mamma Mia 2 (2018), seu último trabalho. Isso sempre me trazia muita alegria! Eu chegava sempre muito feliz e disposta a fazer um trabalho bom.
Concorda com o Oscar que ela ganhou por este filme?
Carmen: A Cher era muito boa atriz e sem dúvidas de que foi uma bela atuação. Ela nunca foi fácil de dublar, porém não teve nada tão marcante pra mim quanto Marcas do Destino.
Teve algum acontecimento ou curiosidade a respeito da dublagem ou do elenco que ficou na memória?
Carmen: Que pergunta difícil para uma senhorinha como eu (risos) Antigamente tínhamos uma qualidade muito melhor na interpretação e percebo que nos dias de hoje perdeu-se muito dessa qualidade. Na época os colegas eram em número menor e eram divididos em três grupos: os de talento, os de muito talento e os mais fracos que geralmente estavam começando.
Nosso empenho era sempre muito grande e havia um bom entrosamento entre todos.
Espero que tenham gostado!
FICHA TÉCNICA
Título: Feitiço da Lua
Título Original: Moonstruck
Direção: Norman Jewison
Data de lançamento no Brasil: 15 de janeiro de 1988
Nota 4/5
Italo Morelli Jr.
Na Nossa Estante

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