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Do Fundo da Estante: Shampoo [Nostalgia]

Pelo que li, achei que iria detestar Shampoo. Assisti-lo em pleno 2020, 45 anos depois de sua realização, pode ser pra muitos, acostumados com filmes de ação ininterruptas, um verdadeiro martírio.
Shampoo é uma comédia romântica tipicamente norte-americana protagonizada por um dos atores mais norte-americanos de Hollywood – Warren Beatty. Ele produziu, escreveu o roteiro em parceria com Robert Towne (Oscar por Chinatown) e ainda interpreta o papel principal de George, o cabeleireiro que finge ser gay pra que ninguém desconfie de seu apetite voraz por mulheres.
Ele está noivo de Jill (Goldie Hawn, adorável), e tem um caso com Felícia (Lee Grant, que levou o Oscar de atriz coadjuvante pelo papel) e Jackie (Julie Christie) respectivamente esposa e amante de Lester (Jack Warden, ótimo e o melhor em cena) ricaço que promete ajudá-lo a expandir seu empreendimento. Há também uma subtrama política, já que a história se passa as vésperas da eleição de Richard Nixon em 1968. Nem a filha de Felicia, Lorna (uma ponta da jovem Carrie Fisher) escapa.
Típico filme com cara de sitcom, Shampoo tem aqueles manjados encontros e desencontros de todo o elenco principal. Infelizmente, quando todos ficam frente a frente, o efeito esperado não acontece. Não é pra gargalhar de rir, mas rende alguns momentos divertidos e apesar do carisma do talentoso elenco, nenhum personagem é particularmente marcante. Nem mesmo a personagem de Lee Grant não justifica o Oscar que ela ganhou, derrotando a favorita Lily Tomlin de Nashville.
Filme simpático pra se ver num fim de noite qualquer, Shampoo teve o azar de ser lançado no mesmo ano que Um Estranho no Ninho, Nashville, Um Dia de Cão, Barry Lydon, Tubarão, Uma Dupla Desajustada e Dersu Uzala, não lhe restando quase nada de prestígio e relevância nos anos seguintes. Os cenários, figurinos e cortes de cabelo datam demais a trama mas não afetam o até hoje em voga “american way of life” em tudo o que ele tem de interessante e descartável.
O resultado final não é tão ruim quanto dizem e não pra encher muito a bola de Shampoo: é um filme legalzinho. Muito pouco vindo do saudoso diretor Hal Ashby, responsável pelos belíssimos Ensina-me a Viver (1971), A Última Missão (1973), Amargo Regresso (1978) e Muito Além do Jardim (1979).
FICHA TÉCNICA
Título: Shampoo
Direção: Hal Ashby
Data de lançamento no Brasil: 2 de maio de 1975
Nota 3/5
Italo Morelli Jr.
Na Nossa Estante

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