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Machismo é entretenimento?

Machismo não é entretenimento é uma frase que tem aparecido bastante na minha timeline do twitter por conta do Big Brother. Isso porque os participantes Babu e Prior tiveram momentos machistas no programa. O primeiro ao reclamar do modo que uma participante dançava e ainda comparou mulher com cardápio e o segundo desde o início se juntou a outros outros com o intuito de desestabilizar as mulheres comprometidas. Na visão do grupo de homens, o público não aceitaria uma traição feminina, a deles não seria tão grave.
O jogo mudou e os dois participantes ganharam uma enorme torcida. Para uns, o importante é reconhecer o erro e mudar, estamos sempre evoluindo e nos desconstruindo, para outros o que vale é o entretenimento. O primeiro ponto é bem pessoal, vai de cada um acreditar se mudaram mesmo ou não, o segundo ponto me fez questionar meu próprios gostos literários.
E foi olhando para o meu próprio rabo que lembrei que já gostei de muitas obras com protagonistas machistas só para esperar o momento que ele se dão muito mal. Sempre acho que esse momento é muito curto, como sou rancorosa e vingativa, sempre desejo mais páginas de sofrimento. Infelizmente, geralmente as mocinhas perdoam em cinco páginas ou menos. O fato é que esperar ansiosamente por essa parte não deixa de ser um entretenimento.

Claro, no meu caso, eu separo a realidade da ficção, infelizmente, nem todos conseguem e realmente acreditam que uma pessoa muda como um virar de páginas. Fico me perguntando se não é o caso do reality show e acabei me deparei com outro pensamento, sobre a política do cancelamento e da passada de pano.
Sem a hipocrisia nossa de cada dia, o que eu vejo frequentemente é que o ato de gostar faz com que as pessoas passem pano. Existe sempre um “mas” para justificar o autor, o personagem, a obra, o amigo, um familiar, um ídolo. E quando a gente não gosta a política do cancelamento ocorre fácil e fico pensando se realmente é o machismo que nos faz cancelar.
Se tampamos os olhos pra quem gostamos, mas não tampamos pra quem não gostamos, não seria o nosso feminismo seletivo? Apontar os erros não me obriga a odiar e gostar não me obriga a criar justificativas tolas que normatiza o machismo. E não seria melhor educar do que cancelar? E se é pra cancelar por que cancelar uns e não os outros? Por que odiar uma obra e não outra?
Não, eu não tenho respostas para nenhuma das perguntas, mas fica a reflexão.

Michele Lima

Na Nossa Estante

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