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Doutor Sono [Resenha do Filme]

Confesso que estava com um pé atrás com Doutor Sono, afinal, não é fácil adaptar uma obra de Stephen King e temos vários exemplos que justifique meus receios. E não sou dessas que acha que o filme tem que ser exatamente como no livro, O Iluminado de Kubrick, por exemplo, não é, então esse não foi exatamente o que mais incomodou no longa, mas sim a falta de originalidade do final do filme.
O longa começa com Danny criança tendo uma ótima conversa com Dick (Carl Lumbly) sobre como prender em uma caixa seus piores pesadelos: os fantasmas do Overlook. Danny aprende o truque, mas quando se torna adulto tem muita dificuldade de viver tranquilamente, e infelizmente, se torna aquilo que seu pai era: um homem alcoólatra, viciado em drogas e um tanto agressivo. No entanto, Danny (Ewan McGregor) resolve se mudar e começar uma vida nova, procura ajuda nos Alcoólatras Anônimos, ganha um melhor amigo e começa a trabalhar como enfermeiro numa clínica com doentes terminais. E é lá que curiosamente é apelidado de Doutor Sono. Danny ajuda os pacientes e passarem dessa vida para outra, em cenas bem sensíveis.
Paralelamente temos um grupo estranho de pessoas, liderados por Rose (Rebecca Ferguson) que conseguem perceber quando as pessoas tem um dom, os chamados Iluminados e usam isso em benefício próprio. Eles matam e sugam o que chamam de vapor (que me pareceu como um alma) de crianças Iluminadas. Assim eles ganham força, poder e juventude. Porém, com o tempo fica cada vez mais difícil de encontrar os Iluminados para os desespero deles e quando descobre a garotinha Abra (Kyliegh Curran), partem para matá-la.
Abra conversa com o protagonista por meio de uma lousa e me lembrou bastante a relação de Danny com Tony em O Iluminado, só que Abra é mesmo assustadora, é só uma garotinha que se sente muito estranha por conta de seu dom. E sem querer ela entra na rota do grupo de Rose e sua vida está em perigo. Danny, então passa a ajudá-la, como se estivesse pagando uma dívida por ter sido ajudado por Dick no Overlook.
Temos algumas batalhas psíquicas bem interessantes, Abra é forte, mais do que Danny foi quando jovem, mas infelizmente achei que o protagonista, assim como os vilões, subestimaram o poder da garotinha. Kyliegh Curran tem bastante carisma, a empatia pela personagem é imediata. Já Danny cresce ao longo da trama e vai deixando de ser o pior do seu pai para nos lembrar o garotinho bondoso. E Rose não é uma vilã que exige muito de Rebecca Ferguson.
O longa tem um início que nos situa bastante sobre a vida do Danny o que até gostei, mas tem problemas de ritmo, é lento em muitos momentos e essa lentidão não consegue ser usada para aprofundar os personagens. E realmente o final carece de originalidade, embora minimamente tenha a ver com fim do livro, mas pra quem leu O Iluminado é capaz de ficar um tanto frustrado pela escolha de Mike Flanagan que além de roteirista é o diretor do filme.

O Iluminado é uma obra tão boa que uma continuação seria difícil, até mesmo para o próprio King, no cinema a dificuldade fica ainda maior. Não posso dizer que foi a pior adaptação dos livros do escritor, as batalhas são boas, a premissa também, bons personagens, mas também não dá pra dizer que foi a melhor, porque não foi.
Trailer:
FICHA TÉCNICA
Título: Doutor Sono
Título Original;
Direção: Mike Flanagan
Data de Lançamento: 7 de novembro de 2019
Nota: 3,5/5

*conferimos o filme na cabine de imprensa
Michele Lima

Na Nossa Estante

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