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Laranja Mecânica [Resenha Literária]

Tive meu primeiro contato com Laranja Mecânica ainda na adolescência. É aquele tipo de livro que você devora de uma única vez, embora sua linguagem seja completamente cheia de gírias. Quando estava na graduação de psicologia, tivemos uma disciplina chamada “psicologia experimental”, e entramos em contato com o livro novamente e, eu nem imaginava que todo conteúdo desse livro magnífico me ensinaria tanto. Anthony Burgess, obrigada por escrever uma obra esplêndida.
Alex e seus amigos adolescentes praticam atos de violência em sua rede. Agressões verbais, físicas, estupros, roubos e assassinatos fazem parte de sua vida, até o dia em que ele é preso. Nessa situação o governo tem uma brilhante ideia (contém ironia), usar o recondicionamento mental para retirar as tendências criminosas e o restabelecer novamente para a sociedade. O experimento é um sucesso, a não ser por um motivo, ele não tem mais poder sobre suas escolhas.
Laranja Mecânica é um daqueles livros de que todos já ouviram falar, mas que poucas pessoas realmente leram – principalmente, por ser precedido por uma reputação cheia de violência. Já adianto, se você for sensível, a natureza gráfica desse livro é sentida na pele. O enredo apresenta longas descrições de crimes hediondos e são detalhadas com muito entusiasmo. No entanto, isso não glorifica a violência, nem é um livro sobre ela em si. Pelo contrário, é uma exploração da moralidade do livre arbítrio.
Se é melhor escolher ser ruim do que ser condicionado a ser bom. Fala de alienação e como lidar com os excessos a que tal alienação possa levar. E, finalmente da decisão de dizer adeus a isso.
Alex, o jovem narrador, tem uma maneira estranha de falar, e o uso das gírias muito bem colocadas no decorrer do livro o tornam extremamente memorável. A linguagem se torna uma maneira de Alex se destacar dos outros, e cria um contraste entre sua fala e a mentalidade dos adultos que aparecem no enredo. Há descrições violentas dos crimes ocorridos, e atrocidades cometidas por um rapaz perverso e mundano, com detalhes sangrentos que se tornam repugnantes e extremos. O que é particularmente perturbador sobre a violência não é a descrição em si, mas a visão apática de Alex e seus amigos, incluindo sua falta de respeito até mesmo pela idade de suas vítimas.
O ponto principal no livro, é a técnica experimental imposta pelo governo para fazer lavagem cerebral em Alex para ser um cidadão modelo, fisicamente enojado até mesmo pelo pensamento de criminalidade. Isso efetivamente nega a Alex a capacidade de ser um “agente moral” e escolher livremente entre e o certo e o errado. Assim Burgess abre o debate da liberdade versus obediência forçada e “bondade”, como sendo o melhor para a sociedade.
Enquanto o livro é extremamente envolvente em sua descrição da jornada do protagonista em direção à idade adulta, também deixa o leitor pensando em várias questões importantes. Estas incluem os direitos de um governo de interferir com a individualidade de seus cidadãos para o “bem maior”, e se a moralidade é intrínseca ou pode ser ensinada.
Preciso falar aqui da nova edição repaginada da Editora Aleph, eu tenho um carinho imenso por esse livro, e quando ele chegou por aqui nem acreditei nessa edição perfeita que a editora fez questão de relançar. Com uma nova capa, detalhes internos únicos e incluindo uma nova tradução, é aquela edição que com certeza quem é fã irá querer e se possível se apaixonará ainda mais.
FICHA TÉCNICA
Título: Laranja Mecânica
Autor: Anthony Burgess
Nota: 5/5
Onde Comprar: Amazon

Natália Silva

Na Nossa Estante

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