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Dor e Glória [Resenha do Filme]

Autobiografia discreta até demais.
Não é segredo pra ninguém que Dor e Glória do cineasta espanhol Pedro Almodóvar é baseado em suas próprias memórias ou no mínimo inspirado nelas. Ao narrar a vida do diretor e autor de cinema Salvador Mallo, Almodóvar parece contar a sua própria história, mas…como eu sempre digo, biografia boa é aquela não autorizada – uma autobiografia alem de resvalar no egocentrismo, fica muito na chamada “zona de conforto” e o resultado pode ser morno e esquecível.
Antonio Banderas está bem no papel do cineasta de meia idade, gay e cheio de problemas de saúde que será homenageado pelos 30 anos da realização de um de seus filmes.
Ele resolve procurar o protagonista com quem brigou e nunca mais viu, ao mesmo tempo em que sua infância pobre é mostrada em flashback.
Dor e Glória não recorre a nenhum exagero dramático apelativo para comover o espectador, não é piegas e nem moralista, mas também não é impactante, não emociona e não seduz. O que Almodóvar nos entrega é um filme elegante, colorido sem ser cafona e bem dirigido. Não é exatamente isso que o público espera do responsável por trabalhos tão incríveis como De Salto Alto, Carne Trêmula, Tudo Sobre minha Mãe, Fala com Ela e A Pele que Habito.
A contida interpretação de Banderas nem justifica o prêmio de melhor ator no Festival de Cannes, e parece mais uma homenagem disfarçada ao próprio Pedro Almodóvar, que nunca ganhou a Palma de Ouro principal, apenas o prêmio de melhor diretor. Quem espera de Dor e Glória uma intensa narrativa que ilustre o processo de criação deste talentoso diretor, vai se decepcionar. Portanto, Oito e meio do diretor italiano Frederico Fellini segue sendo o maior e melhor filme autobiográfico, cuja intensidade emocional permanece após mais de 50 anos.

Dor e Glória é apenas um bom passatempo bem feito.
Trailer
FICHA TÉCNICA
Título: Dor e Glória
Título original: Dolor y gloria
Diretor:Pedro Almodóvar
Data de lançamento: 13 de junho de 2019

Italo Morelli
Na Nossa Estante

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