Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald [Resenha do Filme]

A primeira coisa que precisa ser dita sobre Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald é que se você não leu a saga Harry Potter, não viu os filme ou não se lembra mais dos detalhes, talvez este longa possa parecer confuso, talvez você não consiga pegar todas as referências e apreciar a jornada. Agora, se você é um fã e tem boa memória, poderá curtir bastante o segundo filme da nova franquia.

O longa já começa com uma sequência inicial incrível da fuga de Grindelwald (Johnny Depp) e vemos que depois dos acontecimento do primeiro filme, Newt (Eddie Redmayne) está proibido de viajar para fora da Inglaterra e se recusa a escolher um lado dessa nova batalha. No entanto, Dumbledore (Jude Law) é bastante persuasivo, tanto quanto Grindelwald e consegue convencer o protagonista a ajudá-lo. E com a chegada de Jacob e Queenie (Alison Sudol), Newt vai atrás de Tina (Katherine Waterston) em Paris que está a procura de Credence (Ezra Miller) e este em busca da sua origem. Somos apresentados a Nagini (Claudia Kim) que tem uma relação misteriosa com Credence e que infelizmente fica bastante aleatória na trama toda.

Grindelwald livre não poupa ninguém de seus ataques e tem como objetivo levar Credence para seu lado e o motivo disso só é revelado no final, como uma bomba, nos deixando pasmos. Particularmente fiquei alguns minutos olhando para a tela impactada pela revelação, com centenas teorias na cabeça.

O roteiro de Rowling nos lembra bastante suas histórias em livros em que temos algumas subtramas sendo desenvolvidas ao longa da trama principal e acho que quem não está acostumado com a escrita da autora pode achar que nos cinemas isso acabe pesando de alguma forma. Jacob continua sendo um bom alívio cômico e seu relacionamento com Queenie atinge um patamar diferente que faz com que a personagem de Alison Sudol ganhe um rumo inesperado, algo também típico dos livros da autora. Leta Lestrange (Zoë Kravitz) aparece e sua história acaba se mesclando com à história principal e gostei bem mais dela do que da sem sal Tina, que tem o carisma de um tijolo. No entanto, não consegui deixar de torcer pelo romance dela com Newt, ainda que as cenas que envolvem os dois em busca de Credence tenham sido as mais arrastadas, e um tanto desinteressantes, mesmo com toda a ação.
Os animais dessa vez possuem menos destaques, mas estão na trama de alguma forma e a autora conseguiu explicar bem os motivos de Dumbledore não enfrentar Grindelwald diretamente!

 

Quanto às atuações, polêmicas á parte, Johnny Depp finalmente parou de fazer o mesmo personagem e nos apresenta um vilão consistente, menos exagerado, mais contido e inteligente. O discurso de Grindelwald em uma das cenas é claramente uma referência a ditadores. E Jude Law consegue encarnar bem Dumbledore, com todos os trejeitos do bruxo, com sua perspicácia e ainda assim dar um toque pessoal ao personagem.

Foi maravilhoso rever Hogwarts, Minerva e todo o ambiente escolar e do Mistério da Magia também, completamente nostálgico. A ambientação sombria também dá um tom mais obscuro ao longa e ajuda a passar o sentimento de seriedade, muito mais do que no primeiro filme.

É certo que o longa deixa muitas perguntas no ar, mas os fãs da saga já estão acostumados com isso. É um quebra-cabeça que vai aos poucos sendo montado e provavelmente as respostas serão dadas mais pra frente (espero!). Harry Potter nunca foi um universo simples, com resoluções dadas facilmente.

Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald adota um tom mais sério que o primeiro filme, derrapa muitas vezes em cenas lentas demais e com pouca agilidade, mas apresenta uma ótima trama com uma tensão política evidente, tensa em que é inevitável escolher um lado dessa guerra. E termina de uma maneira bem instigante para os fãs, com muitas dúvidas e poucas respostas.

Trailer:
FICHA TÉCNICA
Título: Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald
Título Original: The Crimes of Grindelwald
Direção: David Yates
Data de lançamento: 15 de novembro de 2018
Michele Lima
Na Nossa Estante

View Comments

Recent Posts

Armadilha [Crítica do Filme]

Só agora, com o filme disponível na Netflix, resolvi assistir a Armadilha, do diretor M.…

3 dias ago

Rivalidade Ardente [Crítica da Série]

Heated Rivalry (Rivalidade Ardente), escrita e dirigida por Jacob Tierney, é um drama esportivo lançado…

5 dias ago

Casamento Sangrento: A Viúva [Crítica]

Lançado como continuação direta de Casamento Sangrento (2019), o filme surge com a difícil missão…

1 semana ago

Sweetpea [Crítica da Série]

A literatura contemporânea encontrou, nos últimos anos, um terreno fértil para protagonistas moralmente ambíguas, especialmente…

2 semanas ago

Hong, A Inflitrada [Crítica]

Hong, a Infiltrada, dorama disponível na Netflix, rapidamente se tornou um dos meus preferidos! A…

2 semanas ago

O Agente Secreto [Crítica]

O Brasil que fomos e que (infelizmente) ainda somos. O Brasil que não conhece o…

3 semanas ago

Nós usamos cookies para melhorar a sua navegação!