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Um lugar silencioso [Resenha do Filme]

O som, como destruí-lo? Seria possível? Algo tão usado de várias maneiras para a comunicação humana, inclusive adquirir informações sobre o ambiente, como viver sem ele? Porque mesmo sem audição, o som está em todos os lugares, na natureza, em um simples objeto caindo no chão, mas no filme Um lugar silencioso o ser humano precisa aprender a eliminar o barulho o máximo possível e viver em quase silêncio absoluto para sobreviver a um ameaça que encontra suas presas pelo som.
O silêncio durante todo o longa é palpável e se torna um personagem essencial na trama, é tudo tão silencioso que qualquer ruído é motivo de nos dar um tremendo susto! É neste contexto que vive a família dos protagonistas, sem fazer qualquer barulho para sobreviver num mundo que aparenta ter sido devastado por monstros terríveis.
A sequência inicial já tem uma morte triste que nos mostra bem que o filme não vai nos poupar ou aliviar no terror psicológico, a tensão existe do início ao fim e ao longo da trama o clímax só vai aumentando e deixando o espectador cada vez mais envolvido com a família.
Lee (John Krasinski) é o líder, um homem que cuida muito bem de todos, evitando qualquer tipo de ruído. Evelyn (Emily Blunt) está grávida e claro que a primeira coisa que pensamos é como ter um parto sem fazer barulho ou filho pequeno sem chorar, mas o casal é inteligente e foi encontrando modos de sobrevivência. Junto com eles temos os filhos Regan (Millicent Simmonds) e Marcus (Noah Jupe), o menino sempre bastante assustado e a adolescente se sente culpada por uma morte no início do longa. Regan tem sérios problemas com o pai e isso acaba os afastando. Entretanto, vemos que Lee faz de tudo para filha poder ouvir, já que ela tem problemas auditivos e ensina Marcus a ser independente, para conseguir agir bem nos momentos de perigos.
Ao longo da trama vemos a rotina da família e como eles conseguem viver em silêncio. A linguagem dos sinais é bastante usada, mas temos também sussurros e gestos bem expressivos para facilitar a comunicação. Tudo vai nos levando ao ato final do parto de Evelyn, mas no meio do caminho alguns acidentes ruidosos acontecem e vamos ter vislumbres do que realmente são esses monstros. Junto com a angústia da família, vamos levando alguns sustos no meio do caminho e o diretor John Krasinski (também protagonista) sabe trabalhar muito bem com momentos de surpresas sem cair muito nos clássicos clichês do gênero. Até as tarefas mais simples do nosso dia a dia acaba criando grandes momentos de tensão no longa.
Claro que em alguma cenas o espectador já sabe o que esperar, mas ainda assim a forma como foi conduzida a trama nos prende e nos surpreende, é impossível não se sentir agoniados com o sofrimento da família, principalmente no terceiro ato em que tudo parece dar errado. Sem nem sabermos os nomes dos personagens (que só aparecem nos créditos) a empatia por eles é estabelecida logo nos primeiros minutos do filme.
Noah Jupe se mostra um ator mirim bem versátil desde Extraordinário e aqui entrega mais uma vez uma excelente atuação, a atriz Millicent Simmonds que também tem problemas auditivos na vida real também atua muito bem com suas expressões intensas. Já o casal John Krasinski e Emily Blunt também não decepciona.
Trabalhar com o silêncio em filmes de terror psicológico pode não ser original, mas ainda é algo que se pode explorar bastante como John Krasinski fez, poderiam ter deixado o filme todo em absoluto silêncio, talvez tivesse sido uma jogada mais original e ousada. No entanto, de qualquer forma, o suspense e o terror vivido pela família nos prende, nos angustia e cria boas tensões ao longo da trama e o final foi bem condizente com tudo apresentado, não decepcionando. Em suma, é um filme que vale bastante a pena ser conferido.
PS: Não comam pipoca durante o filme na sala de cinema, é tudo muito silencioso e o barulho da pipoca fica parecendo uma explosão!
Trailer:
FICHA TÉCNICA
Título: Um lugar sombrio
Título Original: A Quiet Place
Direção: John Krasinski
Data de lançamento: 05 de abril de 2018
Data: 4,5/5

*conferimos o filme na cabine de imprensa

Michele Lima
Na Nossa Estante

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