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Baseado em fatos Reais [Resenha do Filme]

Desde a década de 90 é muito comum o cinema francês produzir o gênero denominado psicodrama. Várias tentativas de se chegar ao nível do que o diretor sueco Ingmar Bergman fazia, não funcionaram. Lembro do hype em torno de A la Folie (1994) da diretora Diane Kurys. Mesmo sendo protagonizado por Anne Parillaud (Nikita) e Beatrice Dalle (Betty Blue), as duas estrelas daquele momento na França, no saldo final, o filme prometeu muito menos do que cumpriu.
Esperava-se um pouco mais deste Baseado em Fatos Reais, já que o responsável por dirigi-lo é ninguém menos do que o consagrado polonês Roman Polanski, que deu ao mundo verdadeiras obras-primas como O Bebê de Rosemary (1968) e Chinatown (1974).
O longa é uma adaptação da interessante obra literária (supostamente) autobiográfica da escritora Delphine de Vigan e peca por entregar o segredo da trama logo de início, por mais que tente disfarçar, culpa do “roteirista de taubaté” Olivier Assayas. Já no livro, que leva o mesmo título do filme, é possível ter uma leve compreensão do que acontece lá pela metade.
A história, um tanto quanto batida, poderia surpreender se tivesse um tratamento diferenciado – dosar o drama, o mistério e as situações dúbias de modo que não ficassem superficiais como ficou.
Emmanuelle Seigner, esposa de Polanski na vida real, interpreta a escritora Delphine Dayrieux, cujo mais recente livro é um grande sucesso. Durante uma sessão de autógrafos, ela conhece a bela e misteriosa Elle (Eva Green, ótima), uma ghostwriter que promete ajudá-la em seu próximo livro. Passando por bloqueio criativo, Delphine se acidenta e quebra a perna para em seguida se refugiar com Elle numa casa no meio do mato. O que aparentemente poderia ter sido uma versão sensual e fascinante de Louca Obsessão de Stephen King, acaba se tornando um pastiche de vários filmes de suspense ruins e genéricos.
A falta de pulso firme de Polanski na direção faz o andamento da trama ser o mais desinteressante possível, diferente do seu bom trabalho anterior, A Pele de Vênus (2013), onde Emmanuelle Seigner conseguiu a melhor interpretação de sua carreira. Aqui ela faz o que pode, mas deixa a impressão de que se não fosse casada com o diretor, talvez nem teria sido atriz na vida. No entanto, Eva Green ilumina a tela toda vez que aparece e salva o filme do marasmo, atuando muito bem no idioma francês, porém é praticamente desperdiçada numa obra tão fraca.
Ao final, fica aquela impressão de que o livro renderia um roteiro muito melhor e que se Polanski estivesse em dias mais inspirados, estaríamos diante de um bom filme. Ainda assim, a produção é de muito bom gosto, com belas fotografia e direção de arte, mas é muito pouco para o que nos é vendido.

Trailer

FICHA TÉCNICA
Título: Baseado em fatos Reais
Título Original: D’après une histoire vraie
Diretor: Roman Polanski
Data de lançamento: 12 de abril de 2018.
Nota: 2/5

Italo Morelli

Na Nossa Estante

View Comments

  • Eu nunca li o livro nem vi o filme, mas observando apenas pela premissa ficaria super curiosa. SE não fosse pelo roteirista de taubaté e tudo isso que você falou. Acho que vou direto ler o livro, hehe!

    Beijo!
    http://www.controversos.com

  • Oi, Italo!
    Eu não conhecia muito bem o filme e muito menos o livro. A premissa parece ser bacana e gostei de você ter falado que com um pouco mais de esforço, teria se tornado Louca Obsessão. Mas como te decepcionou, fiquei com receio de assistir. Talvez eu vá direto para o livro, já que guarda o suspense por mais tempo.
    Beijinhos,

    Galáxia dos Desejos

  • Oi, Italo!
    Vi o trailer do filme ontem, mas só pelo trailer já dá a sensação de que eu sei o desfecho da história. Me interessei mesmo por causa da Eva Green, mas parece o tipo de filme que a gente espera chegar na netflix, pra não se decepcionar muito com o que gasta no cinema.

    bjs
    Queria Estar Lendo

  • "Roteirista de taubaté" hahahaha
    Poxa, mas que pena que o filme decepcionou! Estava com as expectativas altas em relação a esse filme, não só por ser do Polanski, mas por ter a diva Eva Green no elenco =/ Acho que vou acabar vendo por causa dela mesmo, mas agora estando ciente de que não é bom quanto poderia ser!
    Ótima resenha!
    Beijão

  • Oi, Italo!

    Que pena que o filme decepciona assim! Eu estava tanto curiosa quanto receosa de assistir esse filme. Lá no fundo já imaginava que fosse ter um desenvolvimento lento e cansativo, e sua resenha só me deu mais certeza disso. Sei não se ainda quero assistir hahaha

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com.br/

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