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DarkSide® Books: Bom dia, Verônica [Resenha Literária]

A literatura policial brasileira acaba de ganhar mais uma grande autora, Andrea Killmore. Por mais que tenhamos certeza de que este é apenas um pseudônimo de alguém que uma vez trabalhou dentro do sistema policial de nosso país e acabou optando por contar histórias escabrosas e assustadoras que, talvez, tenha conhecido de perto. Isso fica bastante claro na contracapa do livro, quando a incrível Darkside nos explica como Killmore os contactou. Queria poder falar de uma lista de autores policiais brasileiros que se destacaram ao longo dos anos, mas só me lembro de Marcos Rey, cujos livros de mistérios e crimes devorei enquanto moleque na série Vaga-Lume; e Rubem Fonseca, que devo ter lido apenas contos, mas que escreveu O Caso Morel, em 1973, que sempre quis ler.
A aventura (?) de Verônica, uma simples secretária do delegado Carvana, de uma delegacia de São Paulo, começa quando Marta, uma mulher a caminho da meia idade, se joga da janela do décimo primeiro andar depois de sair aos prantos da sala do delegado. Tudo acontece muito rápido, mas talvez não o suficiente para passar despercebido por Verônica. Ela não só se compadece com o triste destino de Marta, mas também não consegue deixar de pensar na estranha ferida que a mesma trazia na boca. Carvana simplesmente não quer que nada seja investigado e, certo de que a mulher foi vítima de um ato exagerado por ter sido abandonada pelo amante mais novo, ordena o arquivamento do caso. E como a narração aqui é em primeira pessoa, dividimos com Verônica todos seus questionamentos, dúvidas, incertezas e insatisfação com o rumo que o caso de Marta toma.
Nadando pesadamente contra a corrente, até mesmo pelo simples fato de não ser uma investigadora, a escrivã policial decide que irá investigar e vingar o suicídio de Marta. O caso repercute na imprensa e dessa forma, Janete, a outra personagem principal da história, encontra na figura de Verônica uma tímida esperança de ajuda para a violência que sofre em casa, por parte do marido, um policial militar. Janete está sozinha, pois Brandão (o marido agressor) a isolou do mundo: ela não tem celular, não tem mais contato com a família que deixou no interior, não tem amigas. E o pior, o marido ainda a obriga a participar de algo monstruoso e inimaginável, o que nos leva à caixa da capa do livro.
Se a história de Verônica com Marta nos é contada em primeira pessoa, com Janete temos a narrativa em terceira pessoa. E isso é uma ótima sacada de Killmore. Se a intenção ao fazer isso era nos aproximar muito da maior protagonista da história e nos fazer de espectadores das dores e dissabores de Janete, BINGO!, funcionou perfeitamente. Além de deixar as duas personagens ainda mais críveis, humanas ao extremo, com desejos que só compartilhamos conosco e mais ninguém. E isso se estende ao casamento de ambas, que aos poucos vamos descobrindo como são na verdade, por mais dolorido que seja.
Verônica deverá receber rótulos de feminista ou coisa parecida, o que a deixa ainda mais real. E espere surpresas e revelações a cada capítulo, inclusive no epílogo. E se uma outra série policial que se encerrou um tempo atrás vier à cabeça, será exatamente o que me ocorreu. Mais histórias de Verô, please! Mais livros de Andrea Killmore!
FICHA TÉCNICA
Título: Bom dia, Verônica
Autora: Andrea Killmore
DarkSide® Books
Onde Comprar: Amazon

Cristiano Santos

Na Nossa Estante

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