Horizonte Profundo [Resenha do Filme]

Conferimos a Cabine de Imprensa de Horizonte Profundo

Suspense, drama, angustia, aflição e tensão são os adjetivos que combinam muito bem com Horizonte Profundo e surpresa também porque eu realmente não esperava que o filme me fizesse sentir tudo que eu senti, já que praticamente passei o tempo todo em agonia com a tamanha pressão construída durante o longa.

Mike Williams (Mark Wahlberg) é um engenheiro técnico, casado, tem uma filha e se prepara para passar longas 3 semanas em alto mar na plataforma petrolífera no Golfo do México. No entanto, ao chegar na plataforma ele e sua equipe já começam a se deparar com vários problemas com a empresa responsável pela extração que está ansiosa para começar a fase final da perfuração de um poço de petróleo. Tão ansiosa que dispensa o teste de concreto que é base de estabilidade da plataforma. No entanto, Jimmy Harrell (Kurt Russell), responsável pela segurança, exige que um teste de pressão seja feito para que se comece a extração. O teste não dá certo e outro mais específico é feito. Dois testes, dois resultados diferentes, um positivo e outro negativo, mas com a pressão e argumentação de Vidrine (John Malkovich), interessado em agilizar o processo, Jimmy autoriza que a extração seja feita e é aí que tudo começa a dar errado. Afinal, tragédias geralmente acontecem por conta de uma série de erros e não apenas um.

 

Como uma panela de pressão, no caso um tubo, a narrativa vai construindo aos poucos a tensão nos espectadores até o começo do ato final em que vemos o drama vivido por todos os funcionários. Até este momento não temos heróis, temos pessoas comuns em um dia comum de trabalho. Cada linha narrativa, cada construção de personagem, cada diálogo, cada cena, cada close (e são muitos), tudo está perfeitamente conectado com o cano de pressão que extrai petróleo, como uma bomba preste a explodir. Difícil não entrar no clima criado pelo diretor Peter Berg.

Apesar do drama ser comum em filmes em que mostram tragédias reais, Horizonte Profundo se destaca pelo suspense criado e por um drama sem exageros. Tudo na medida certa. Não é um longa melodramático, não existe excesso de efeitos especiais, mas sim uma ação repleta de tensão. E só quando tudo explode é que temos uma ideia do tamanho do estrago, sendo neste momento que conhecemos os heróis do longa. Porque voltar para explosões simplesmente porque precisa aperta um botão para tentar salvar alguma coisa ou alguém é sim um ato heroico e incrivelmente real, já que a história é baseada no acidente na plataforma Deepwater Horizon, em 2010. Inacreditável que alguém queira cumprir a sua função até o final, com um enorme senso de responsabilidade que não existiu por parte dos executivos da empresa responsável pela exploração, movida, obviamente, pelo dinheiro.

Se por um lado temos heróis por outro também temos o medo humano, aquele que nos faz deixar alguém para trás na hora do desespero. E se não bastasse toda a aflição vivida na plataforma ainda temos Felicita (Kate Hudson) sem notícias do marido, em uma angustia que não pode ser descrita.

Mark Wahlberg, Kurt Russell, John Malkovich e Gina Rodriguez (Jane, The Virgin) estão excelentes em suas atuações e vale destacar as partes técnicas em que o mar, escuro, profundo e sombrio se torna protagonista nessa trama.

Enfim, histórias reais sempre são comoventes, mas também podem cair facilmente em dramas rasos. Não é o caso de Horizonte Profundo, que tem uma narrativa muito bem construída, pautada pelo suspense.

Quem tiver a oportunidade de assistir deve ir preparado para sair do cinema como se tivesse vivido horas de extrema tensão.

Trailer:

FICHA TÉCNICA

Título: Horizonte Profundo – Desastre no Golfo
Título Original: Deepwater Horizon
Diretor: Peter Berg
Data do lançamento no Brasil: 10 de novembro de 2016

Michele Lima

Na Nossa Estante

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